Paulus Magnus
Estande da Mitsubishi, São Paulo-SP
   
       
 
  O entorno do pavilhão é ocupado pela área expositiva, marcada por piso de fórmica brilhante
       
 
  ELEVAÇÃO    
       
 
Um pavilhão monumental.
O efêmero com ar perene
 

Ser ou não ser: eis a questão. Diante da realidade efêmera, o espaço idealizado por Paulus Magnus - que ocupou uma quadra dentro do Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo - transitou entre o real e o virtual.

Com as quatro faces visíveis, o estande abrigava um pavilhão de aço e vidro, com dois pisos, implantado na diagonal da área retangular. Ao redor estavam expostos os carros, grandes utilitários, sobre um piso de fórmica brilhante, ora vermelho, ora prateado.

O pavilhão propriamente dito era formado por
duas empenas de vidro duplo com a mesma dimensão, paralelas entre si mas desalinhadas. O espaço entre elas era ocupado por ambientes fechados: no piso inferior, uma copa; no superior, estar e espaço para serviços/vestiário.

O acesso principal ao piso superior era realizado por uma escada imponente, que dava ao estande ar monumental. Fazendo as vezes de ponte, o estar, utilizado para recepcionar clientes, era o espaço mais interessante e ponto focal da escada.

O desalinhamento e a sobreposição das empenas criou interessante efeito visual. O espaço entre elas era ocupado, parcialmente, pela estrutura metálica do pavilhão. Todos os vidros foram estampados com palavras e frases ligadas à marca de automóveis.

Para o visitante
, a sobreposição de quatro camadas de vidros transparentes e letras resultou em uma confusão que agrega a linguagem concreta (própria da arquitetura, com empenas, escadas, passarelas etc.) à virtual (ligada ao universo criado pela Internet, com superposição de imagens).

Um grande painel multimídia ajudou a compor o clima antiespacial: a edição de imagens incorporou elementos da arquitetura do pavilhão. Em alguns momentos, o vídeo utilizava a mesma paginação dos caixilhos do pavilhão, sobrepondo imagens diversas. A direção de arte do vídeo foi realizada por Magnus.
Os requintes do projeto, próprios da linguagem de obras construídas (um exemplo é o guarda-corpo da escada), davam a impressão de espaço duradouro. Os custos, superiores ao usual nesse tipo de encargo, e a execução contribuíram para isso.

Mas, no final, o efêmero se transformará em perene: está em fase final de construção a primeira concessionária da Mitsubishi, que, desenhada por Magnus, possui os mesmos princípios do estande.


Texto resumido a partir de reportagem
de Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 278 Abril 2003

 
Reflexos no vidro e no piso formaram um túnel virtual
 
No painel multimídia, a paginação do caixilho
 
Empenas desalinhadas criaram efeito visual
 
   

Térreo/ mezanino

1. Pavilhão 2. Área de exposição 3. Painel de eletromídia 4. Estar 5. Serviços/vestiário

Ficha Técnica
Estande da Mitsubishi
Local
São Paulo, SP
Projeto
2002
Conclusão da obra 2002
Área construída
1 232 m2
Arquitetura

Paulus Magnus (autor); Keila Costa (colaboradora)
Luminotécnica
Césio Lima
Estrutura

Tadao
Execução

Arquitrama
Fotos

Rômulo Fialdini

 

Fornecedores
Arquitrama (esquadrias); Permetal (chapas metálicas); Eletromídia (painel); Formica (revestimento de piso)

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