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O módulo Arte do Século 19, instalada em
parte do térreo do Pavilhão da Bienal, teve como curador
Luciano Migliacio. Para a cenografia, foi convidado
o arquiteto Marcos Flaksman, também estudioso do
classicismo (cujo período áureo, no Brasil, foi o século
passado, no Rio de Janeiro). Como as pinturas dessa época
são geralmente de grandes dimensões, o espaço escolhido
tem pé-direito de 7,5 metros.
Flaksman dedicou cuidado especial à
iluminação, procurando levar para o salão uma claridade
tênue e difusa, semelhante à dos ambientes nos quais as
obras foram produzidas (como neles não havia luz elétrica,
evitou-se o uso de projetores isolados sobre as telas).
Conseguiu o efeito desejado sem nenhum artifício tecnológico,
recobrindo as grandes aberturas envidraçadas do salão com
tecido branco e translúcido. Oito gigantescos painéis
- que o cenógrafo chama de “estruturais” - vão do piso ao
teto, encobrindo as colunatas moduladas (de 2 m x 10 m)
típicas da arquitetura dos anos 50. Para complementar a
recriação ambiental do século 19, Flaksman inseriu no topo
desses painéis a reprodução de fragmentos de elementos das
fachadas de famosos prédios cariocas do classicismo.
O piso recoberto com carpete
vermelho lembra tempos em que obras de arte só circulavam
nos meios aristocráticos e acadêmicos. Junto das
clarabóias, foram colocados painéis laterais, em cores,
para facilitar a distinção dos submódulos. Um pátio interno,
com árvore no centro e bancos ao redor, também remete ao
período enfocado. Na equipe de Flaksman, atuaram Ricardo
Ferreira (assistente do projeto e da execução); o escultor
Gliston e sua equipe; um grupo de cenotécnicos comandado
por Paulo Dubois; e os arquitetos Daniel Flaksman e João
Gama, responsáveis pelos desenhos.
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