Brasil + 500
Mostra do Redescobrimento no Ibirapuera, São Paulo
Na Oca, objetos indígenas encontram a floresta
 

No Pavilhão Lucas Nogueira Garcez - mais conhecido como a Oca do Ibirapuera - foram alojados quatro módulos. Dois deles são de autoria do cenógrafo Paulo Pederneiras: Arqueologia, no subsolo, sub curadoria de Maria Cristina Scatamacchia, e Artes Indígenas, no térreo, primeiro e segundo pisos, sob curadoria de Lúcia H. van Velthem e J. A. Fernandes Dias. Os outros dois foram criados por Naum Alves de Souza: Primeira Descoberta da América e Arte - Evolução ou Revolução (ambos no subsolo), sob a curadoria de Maria Cristina Scatamacchia.

Os cenógrafos procuraram interferir o mínimo na arquitetura muito especial da Oca, com seus imensos pavimentos sem paredes nem divisórias. No módulo Arqueologia, Paulo Pederneiras reproduz uma topografia de montanha, mantendo a estrutura do edifício à vista, mas recoberta por tela galvanizada. O visitante circula por uma passarela metálica, de onde pode apreciar os objetos exibidos em urnas e vitrines. A área de exposição recebeu iluminação tênue, devido às exigências de no máximo 50 lúmens feitas pelos museus estrangeiros que cederam as peças. Para reduzir a incidência da luz e criar uma barreira física - mas não visual -, foi utilizada uma camada de tule branco sobre algumas vitrines.

O térreo ficou reservado para objetos dos cerimoniais indígenas e o manto tupinambá (peça do século 17), ao qual se chega através de um corredor de 30 m, também recoberto de tule branco. Segundo Pederneiras, a maior interferência de seu trabalho na arquitetura do prédio ocorre no primeiro andar, ocupado por objetos indígenas. No local já havia oito colunas e foram erguidas mais 30, com acabamento idêntico. A idéia era criar um ambiente de floresta, onde não há percursos predeterminados. As vitrines com os objetos estão colocadas entre essas árvores-colunas.

Ainda nesse piso, foram erguidas duas paredes simétricas, que receberam, de um lado, tratamento com película refletora e, do outro, pintura vermelho-urucum numa delas e azul-escuro na outra. Nas laterais desse pavimento, canteiros contendo sete tipos de sementes nacionais fazem uma composição. No último andar, prolongamentos das colunas do piso abaixo aparecem como grandes tubos de ensaio, expondo objetos de uso indígena. O módulo termina com uma exposição de trabalhos atuais de índios.

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Urnas e demais objetos indígenas de cerâmicas estão expostos protegidos por vitrines. Nos percursos, as passarelas metálicas Foto: JOSÉ LUIZ PEDERNEIRAS
 
Mantelete emplumado da tribo tupinambá, que ocupou terras do Rio de Janeiro, exposto no módulo Arte Indígena. Acervo do Museu de História Natural da Dinamarca
Foto: DIVULGAÇÃO
 
O interior da Oca, preparada para a mostra
 
Oca: no térreo do módulo Artes Indígenas, objetos de cerimonial montados pelos próprios índios
 
Nas laterais das rampas, canteiros
de sementes coloridas e de penas brancas
Foto JOSÉ LUIZ PEDERNEIRAS
 
No subsolo da Oca, os módulos Primeira Descoberta
da América e Arte: Evolução ou Revolução
Foto: DENISE ANDRADE
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