Libeskindllovet Arquitetos

Escritório Libeskindllovet Arquitetos, São Paulo

Fichas técnicas
Fornecedores
Plantas, cortes e fachadas
A sala de reuniões tem vista para o jardim interno
Intervenção respeitosa em imóvel não tombado
No bairro dos Campos Elísios, este ambiente de trabalho abriga o escritório dos arquitetos que o desenharam. O espaço também abre lugar para uma cozinha industrial e um ateliê de design, de uso dos projetistas.

A transformação de um velho armazém - construído há mais de um século, estima-se - em um agradável e simpático escritório de arquitetura é exemplo de intervenção bem-sucedida e respeitosa em imóveis antigos, mesmo não sendo eles tombados ou de valor histórico reconhecido. Eventualmente, o custo de demolir e construir em seu lugar algo totalmente novo poderia ser menor. No entanto, os arquitetos Cláudio Libeskind e Sandra Llovet decidiram percorrer outro caminho, demonstrando atenção cuidadosa com a memória do bairro. Situado numa esquina onde se sobrepõem vias das regiões de Santa Cecília, Campos Elísios e Barra Funda, zona central de São Paulo, o estúdio teve seu projeto contemplado na categoria design/interiores na Premiação IAB/SP 2008.

Depois de armazém e antes de se tornar a sede de Libeskindllovet Arquitetos, a construção foi um desses bares comuns que, de alguma forma, impregnam as recordações da vizinhança, provavelmente em razão dos anos em que ali se encontrava - uma planta de reforma garimpada por Libeskind nos arquivos municipais data de 1917. Ao bar se agregava uma residência implantada em nível mais alto, mais ao fundo do lote, à qual se tinha acesso por uma escada - abaixo dessa cota, havia um porão. Mesmo com o precário estado de conservação, Libeskind percebeu no imóvel o potencial para abrigar seu estúdio.

Além da arquitetura, Libeskind faz incursões na culinária (produz um tipo de geléia) e aventura-se pelo design de luminárias e outras peças. E seu interesse pelo imóvel cresceu ao perceber a possibilidade de conciliar ali essas várias atividades - atualmente, o escritório e uma cozinha industrial ocupam o térreo, enquanto no mezanino foi instalada uma espécie de oficina, onde o arquiteto dá forma a alguns dos objetos que desenha.

Na face externa, que permaneceu praticamente a mesma, o desenho em grafite dá caráter inusitado à fachada
O perímetro externo do imóvel foi mantido pelos autores
O estúdio, no centro paulistano: respeito à memória local, mesmo com imóvel sem relevância arquitetônica

Do velho armazém/bar-residência, os autores decidiram manter o perímetro externo e o gabarito. Mesmo o desenho da fachada teve apenas pequenas alterações: portas se transformaram em janelas e os respiros do antigo porão funcionam agora como medidores de água, luz e gás. Desenhos grafitados nas duas faces voltadas para a rua rememoram (ainda que de forma não declarada) o desenho existente na parede externa do bar quando o imóvel foi adquirido.

Internamente, porém, a intervenção foi mais radical. Os autores rebaixaram, por exemplo, o antigo porão à cota do velho armazém e com isso ganharam pé-direito. Conservaram a altura dos caixilhos, solução que preserva da vista externa a atividade interior. O pé-direito mais alto também permitiu que criassem um mezanino, para onde o escritório se expande, em épocas de projetos mais trabalhosos. A cozinha industrial situa-se numa das laterais do imóvel e possui acesso independente. Mesmo se tratando de um espaço relativamente pequeno, incluíram a sala de reuniões em local isolado e confortável.

Os ambientes são integrados com acabamentos simples - cimento queimado no piso e placas de OSB revestindo o forro.

O jardim interno ocupa a faixa do terreno onde ficava o porão da residência
Acabamentos simples foram especificados. No térreo, equipes compartilham o mesmo ambiente

Na parte externa, o que fora o pátio de acesso ao porão transformou-se em jardim que se volta para a área de trabalho. A intenção inicial era erguer uma parede no mezanino, isolando-o do ambiente inferior, conta Libeskind; porém, a ideia foi abandonada. A proposta de prover de iluminação zenital os banheiros também foi substituída pela adoção de dutos para a circulação de ar.


Texto de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 350 Abril de 2009

Cláudio Libeskind graduou-se pela Universidade de Guarulhos (1983) e Sandra Llovet, pela Escola Politécnica de Barcelona (1998).
O casal é sócio no escritório Libeskindllovet Arquitetos, que ganhou, em 2006, o concurso para a implantação da Universidade Federal do ABC
Estante sinuosa fixada à parede da área do escritório
 
Pequenos objetos esparsos sobre a estante
O imóvel em dois tempos: a escada que levava...
Pranchas de madeira fixadas às paredes formam
a escada que leva ao mezanino
Tons claros prevalecem no revestimento das paredes. O acesso à direita conduz à sala de reuniões
Detalhes do layout e acabamento dos banheiros
...ao porão e o jardim interno que ali foi implantado
Objetos podem se deslocar e
movimentar o ambiente
Arquitetos trabalham em espaço integrado