Lucia Ravache Arquitetura e Interiores

Restaurante do Centro Empresarial Itaú Conceição (Ceic), São Paulo

Fichas técnicas
Fornecedores
Plantas, cortes e fachadas
Salão no piso térreo. Cores intensas contrapõem-se ao branco do piso e à tonalidade escura de parte dos móveis
Distribuído em dois pisos, espaço elimina distinção hierárquica
Desde meados do ano passado, foram reabertos, depois de renovados, os restaurantes para funcionários do Centro Empresarial Itaú Conceição (Ceic), em São Paulo. O escritório da arquiteta Lucia Ravache é responsável pelo projeto. O desenho concilia a funcionalidade com ambientes de sutil elegância, contribuindo para torná-los capazes de manter o interesse de seus usuários, mesmo que estes os frequentem praticamente todos os dias.

Os restaurantes para funcionários do Ceic, complexo bancário localizado na zona sul de São Paulo, atravessaram quase duas décadas sem alterações importantes. Tinham, portanto, praticamente a mesma idade das primeiras torres do conjunto, que foram inauguradas na metade dos anos 1980. Havia dois espaços distintos, para funcionários mais graduados e para o restante do staff. Em 2007, Lucia Ravache foi contratada para criar um novo layout, abolindo as distinções hierárquicas. No primeiro semestre de 2008 o trabalho foi concluído.

Tão relevante quanto atender a públicos internos de níveis distintos era equacionar os fluxos de pessoas e da comida. O projeto deveria também empregar materiais de fácil manutenção. Ao mesmo tempo, pretendia-se que o espaço fosse atraente para os usuários, já que eles “vão almoçar quase todos os dias nesse mesmo lugar”, pondera a autora do trabalho. Além da comida, em restaurantes convencionais os clientes são induzidos a frequentar o local pela qualidade e conforto de seus ambientes. Aparentemente, o trabalho desenvolvido por Lucia foi eficiente nesses quesitos, obtendo a interação de funcionalidade e elegância.

No piso térreo, o espaço é mais amplo e acomoda até 800 pessoas
Superfície multicolorida na área das ilhas de comida, no pavimento superior, cria ambiente convidativo para frequentadores habituais
No restaurante que ocupa o piso superior, o chão foi revestido com pastilhas de vidro em tom claro

Os salões ocupam parte do embasamento de duas torres. Os do pavimento superior, denominado piso Metrô (o conjunto empresarial está integrado à estação metroviária), podem atender até 400 pessoas; os do andar térreo (piso Terraço) comportam 800 usuários. Os dois níveis se comunicam por escada interna.

A amplitude permitiu à arquiteta e a sua equipe compor diferentes ambiências. Nos salões Manacá e Ipê, no piso superior, Lucia especificou, no piso, pastilhas de vidro em tom claro na área de refeição e visual multicolorido (“uma explosão de cores”, segundo ela) na parte que concentra as ilhas de comida. Nas mesas de refeições predominam tonalidades escuras, mas a inserção de peças de cores intensas rompe com a monocromia e compõe uma atmosfera mais descontraída. Um painel de desenho geométrico negro percorre a lateral do espaço.

Com maior dimensão (são 1,4 mil metros quadrados contra 800), o pavimento inferior, onde estão os salões Paineira e Jatobá, permitiu à projetista trabalhar a área de distribuição. Ali, graças ao pé-direito mais generoso (na conexão entre duas torres), o desenho de forro ganha maior elaboração, alternando planos densos com outros mais leves - um ripado com as lâminas de madeira penduradas pela parte mais delgada, à semelhança de coberturas pergoladas. Sobre as ilhas de comida, imensas luminárias dão um aspecto diferenciado ao local. O piso dos salões é de cerâmica de grande formato.

Iluminação artificial, revestimento de paredes e forros foram elementos aos quais a autora recorreu para tornar o espaço mais atraente
Uma das paredes da área de circulação é revestida com tijolo aparente
Sobre as ilhas de comida, luminárias gigantes dão um toque inusitado ao ambiente

Nas laterais, um dos salões tem a superfície revestida com tijolo aparente (sem acabamento) e o outro recebeu revestimento de madeira, formando um painel. Em razão da localização, as áreas dos restaurantes não permitiram à autora aproveitar a luz natural, elemento que ela sempre procura explorar em suas intervenções. Por isso, Lucia recorreu às soluções de iluminação artificial para criar a atmosfera interna.

A autora destaca ainda, como aspecto positivo no trabalho, a sintonia e a cooperação entre os diversos profissionais e equipes.


Texto de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 349 Março de 2009

Lucia Ravache formou-se em 1979 pelo Instituto Bennett, do Rio de Janeiro. Trabalhou na Itauplan (escritório de arquitetura do grupo Itaú) até 1989, ano em que constituiu estúdio próprio
A pia de higienização para uso dos frequentadores atende também a determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
Painel geométrico desenhado por Lucia Ravache, instalado num dos salões do piso superior
Com a renovação, os restaurantes do Ceic deixaram de ter divisões hierárquicas