Mínima Arquitetura e ODVO

Restaurante Manish, São Paulo

Fichas técnicas
Fornecedores
Plantas, cortes e fachadas

Muxarabi filtra luz e determina identidade do restaurante
O muxarabi filtra a luz e a visibilidade para o exterior, além de determinar a identidade do restaurante
Sombras se fundem em jogo de tramas
Elementos tradicionais da arquitetura mourisca, adaptados à linguagem contemporânea com sutileza, dão o tom ao restaurante de culinária árabe Manish, em São Paulo. O mais evidente deles é o muxarabi de desenho impactante. Ele não só promove a integração entre a casa e a cidade, como dá identidade ao restaurante, ajuda a filtrar os ruídos da avenida e ainda protagoniza o jogo de sombras em constante movimento que marca as áreas internas.

O projeto dos arquitetos Carol Kaphan Zullo, Omar Mohamad Dalank e Victor Oliveira Castro foi selecionado dentre três propostas arquitetônicas que concorreram para dar continuidade às obras então já iniciadas do restaurante Manish.

“Os clientes pediam algo simples e elegante, sem ser ostensivo, e de identidade forte, para se tornar uma referência na região”, explica Carol. “Foi uma imagem eletrônica da varanda com o muxarabi que levou à escolha do nosso trabalho”, destaca Dalank.

As obras executadas anteriormente incluíam contrapiso, estrutura e cobertura e já haviam consumido boa parte da verba prevista, condição que exigiu dos autores racionalidade, extraindo o máximo de um mínimo de elementos. “Alcançamos essa meta e aquilo que desenhamos foi totalmente executado”, detalha Castro.

Mobiliário em evidência
A varanda está 50 centímetros acima do nível da calçada, condição que coloca o mobiliário em evidência
Mobiliário foi desenhado pelos arquitetos com exceção das cadeiras
Com exceção das cadeiras, o mobiliário foi desenhado pelos arquitetos e executado com madeira de demolição
Pendentes artesanais contribuem para o jogo de sombras entrelaçadas
Os pendentes artesanais contribuem para o jogo de sombras entrelaçadas. Eles foram criados especialmente para este projeto

O trio ficou responsável pelas fachadas e áreas de acesso público - com capacidade para 93 pessoas -, divididas entre varanda, bar, salão e banheiros.

Para esses espaços existem três layouts predeterminados, que podem ser adotados rapidamente, conforme a quantidade de frequentadores no local.

Com exceção das cadeiras, os arquitetos desenharam todo o mobiliário, que foi construído com madeira de demolição e ganhou rodízios para facilitar o deslocamento.

O elemento que dá a forte identidade desejada é o muxarabi de concreto geopolímero (concreto com agregado de mineral de sílica para dar melhor acabamento e mais resistência). Ele protege a face frontal, voltada para o leste e para uma avenida do bairro do Itaim Bibi.

De desenho impactante, foi inspirado na composição elegante que os arquitetos Howard Ashley, Hisham Al Bakri e Baharuddin Kassim desenvolveram para a Mesquita Nacional da Malásia, construída na década de 1960 em Kuala Lumpur.

Além de transformar a construção em referência local e manter a vista para a rua, o muxarabi tem a função de filtrar os ruídos do tráfego de automóveis.

Ele também protagoniza o jogo de sombras no interior, ao lado de luminárias pendentes com tramas artesanais, criadas especialmente para o projeto.

Internamente, o muxarabi é protegido por grandes panos de vidro com 12 milímetros de espessura, 3,4 metros de altura e larguras que podem chegar a até 1,30 metro.

Sem caixilhos, esses painéis pesam aproximadamente 125 quilos cada e podem ser abertos para ventilar o ambiente, condição que dispensou a necessidade de equipamentos de ar condicionado.

Outro elemento da arquitetura árabe referenciado no projeto é o pátio interno, aqui definido como a área sob rasgo longitudinal preexistente na cobertura.

“Ampliamos essa abertura zenital o máximo que foi possível e fechamos com vidro para ter mais luminosidade natural no espaço e dar essa ideia de pátio”, comenta Carol.

Abertura zenital foi ampliada
A abertura zenital foi ampliada para dar ao ambiente a ideia de um pátio interno
Piso é revestido por ladrilhos hidráulicos
Vista geral do restaurante. O piso é todo revestido por ladrilhos hidráulicos
bar na altura das mesas
O bar na altura das mesas permite que a bancada também seja usada para servir refeições
Painel de fundo foi criado sobre ladrilho hidráulico
O painel de fundo foi criado sobre ladrilho hidráulico e faz referência à tapeçaria árabe

O mural com arabescos, criado pelo ilustrador Marcus Dan sobre ladrilho hidráulico, é mais uma referência à cultura moura. O piso foi todo revestido com ladrilho hidráulico.


Texto de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 380 Outubro de 2011

Carol Kaphan ZulloOmar Mohamad DalankVictor Oliveira Castro Carol Kaphan Zullo (FAU/USP, 2003) estudou na Faculdade de Arquitetura do Porto, Portugal, e atualmente é sócia titular do escritório Mínima Arquitetura e Urbanismo.


Omar Mohamad Dalank (FAU/Braz Cubas, 1997) é professor da Escola da Cidade desde 2003 e sócio titular do escritório ODVO Arquitetura e Urbanismo, juntamente com Victor Oliveira Castro (FAU/UNG, 2001), vice?presidente do IAB/Guarulhos
Grandes painéis de vidro podem ser abertos ventilação natural ao ambiente
Os grandes painéis de vidro podem ser abertos para dar ventilação natural ao ambiente
Croqui
Croqui