Muti Randolph
D-Edge, São Paulo
- Detalhes
- 03 de Outubro de 2011. Visitas: 9.137
Os adeptos da música eletrônica elegeram o D-Edge como um dos principais clubes da noite paulistana. A casa se diferencia não só pela programação ou pela qualidade do som, mas também pela proposta de interiores que utiliza um software para sincronizar no ritmo da música as luzes e animações projetadas em paredes, pisos e tetos.
“É uma experiência envolvente em que o público vivencia as ondas sonoras. A arquitetura do espaço muda conforme a música”, resume o designer Muti Randolph, autor do projeto e, junto com Dimitre Lima, do programa de computador que automatiza a iluminação.
Com quase dez anos de existência, o clube funciona no bairro da Barra Funda, região central da capital paulista. Originalmente dividido em pista de dança e bar, foi recentemente ampliado e ganhou espaços.
A área disponível para isso era um terreno vizinho, comprido e estreito, o que levou à distribuição dos ambientes por três pavimentos. O térreo ficou reservado para o acesso e mais caixas, detalhe pensado para dar conforto aos frequentadores na hora da saída.
A nova pista de dança e o lounge ocupam, respectivamente, o primeiro e o segundo andares, enquanto a cobertura deu lugar a um terraço aberto que oferece vista para o Memorial da América Latina.
A unificação dos dois volumes da casa é determinada pelo revestimento das fachadas com chapas metálicas onduladas. A face principal é recortada por caixilhos que, mesmo protegidos por persianas automáticas, revelam ao exterior o jogo de luzes interno.
A pista original, uma caixa preta iluminada por néon e leds verdes de comando informatizado, manteve o projeto inicial e seu conceito foi estendido para a nova pista, acrescentando mais tecnologia.
As diferenças entre as duas são atribuídas aos avanços do software nos últimos anos e ao atual sistema de iluminação, que usa exclusivamente leds e oferece a possibilidade de 16 milhões de cores.
Outra mudança em relação ao espaço anterior fica por conta dos volumes de madeira pau-ferro que aparecem na nova pista e no lounge.
Eles apresentam formas geométricas assimétricas e foram instalados de modo não paralelo, a fim de favorecer as condições acústicas da casa.
“Com o jogo de luzes, esses volumes interferem nos ambientes, há um certo embaralhamento, é como se o local estivesse tremendo”, conta Randolph.
Também iluminado por leds, o lounge é mais tranquilo e aconchegante, para os frequentadores conversarem ou retomarem o fôlego.
As baladas continuaram normalmente durante a maior parte das obras de ampliação. Somente na reta final o clube ficou fechado em um final de semana, para que fosse aberta a comunicação entre a construção original e a nova entrada.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 378 Agosto de 2011
Muti Randolph é designer e atua em publicidade, ilustração, cenografia, interiores, comunicação visual e criação de logomarcas, entre outras atividades. Já produziu material gráfico para artistas como Djavan e Lulu Santos e cenários para a MTV e o Free Jazz Festival. Também desenvolveu projetos cenográficos para a São Paulo Fashion Week, teatro e interiores de casas noturnas





