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Instalada em Santa Efigênia, bairro de Belo Horizonte, a loja de tapetes e tecidos Marie Camille tem projeto de arquitetura de Natacha Rena e Sílvio Todeschi. A dupla direcionou seu trabalho para o que conceituaram como “atualização da tradição”. Por isso, transparece no espaço a proposta de conjugar o velho e o novo. “Utilizamos peças antigas de demolição, porém sempre tentamos atualizá-las”, argumenta Todeschi.
Foram preservadas as dimensões do edifício existente - cujo estilo de galpão industrial lembra os lofts norte-americanos - mantendo-se o espaço como um grande invólucro de linhas rústicas, sem preocupação exagerada com detalhes e acabamentos.
“A proposta foi conjugar o velho e o novo e apresentar a tradição oriental de maneira sutil”, explica Todeschi. Cores vivas - que, segundo o autor, remetem à Índia - e madeira pontuam a grande massa branca e prata. Áreas vazias tornam a loja um espaço flexível. Esse tratamento atende ao conceito de mobiliário nômade, que foi aplicado ao espaço. “A loja está sempre se modificando, alterando seus produtos, superfícies e layouts”, discorre o arquiteto.
A loja se organiza em uma seqüência de espaços que definem a setorização dos produtos. O primeiro, logo após o estacionamento, é destinado a tecidos.
Ali, o piso é em madeira de demolição. Os arquitetos criaram um painel de madeira que serve de base tanto para o mostruário, como para a montagem de outros produtos. No mesmo setor, um ambiente de estar sugere uma maneira mais informal de receber os clientes. A mesa de centro e as de atendimento também são em madeira de demolição.
Em seguida vem o setor de tapetes contemporâneos - os produtos são estendidos na horizontal, em módulos volantes. Na seqüência, em direção ao fundo da loja, o café e o escritório foram dispostos cada um numa lateral. “O café tem também a função de receber pessoas interessadas em pesquisar sobre tapetes e tecidos orientais”, esclarece Todeschi. Atrás do café e do escritório, ficam os únicos ambientes fechados da loja: copa, vestiário de funcionários e banheiros.
Por último, ao fundo, meio nível acima da área de entrada, com acesso por rampa conjugada com escada, situa-se o mostruário de carpetes, de um lado, e, do outro, os tapetes orientais.
O piso no local é também em tábuas de demolição.
A luminotécnica, de caráter teatral, acompanha as constantes mudanças de configuração na loja - luminárias desenhadas exclusivamente para o projeto correm em trilhos metálicos pendentes do teto por cabos de aço.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 303 Maio de 2005
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