Plano B Arquitetura

Loja Noia Carolina, São Paulo

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O jogo de espelhos amplia visualmente o espaço de dimensões reduzidas
Vitrine valoriza jóias e garante privacidade
O projeto opõe a fachada hermética - com pequenas aberturas para a vitrine de jóias, o que confere privacidade aos clientes - ao interior que combina, delicadamente, diferentes materiais, como faria um ourives.

Madeira, concreto e espelhos são os materiais que definem a joalheria Noia Carolina, grife que leva o nome da designer de origem uruguaia. Localizada no primeiro piso do Shopping Cidade Jardim, a loja oferece peças cujo estilo contemporâneo e refinado deveria permear também a proposta de interiores. Ao mesmo tempo, o projeto deveria buscar diferenciais em relação ao modelo geralmente caracterizado por ambientações desconfortáveis, que impõem grande distância entre o cliente, os vendedores e o produto.

 
Layout tira proveito da área e convida o cliente a circular
pela loja
A vista evidencia a área de atendimento e a parede revestida por placas cimentícias que dá sustentação à vitrine

A resposta surgiu de soluções simples. A fachada é trabalhada com seqüências de painéis de madeira laqueada na cor cinza, cujo desenho individual tem por referência o corte simples para a lapidação dos diamantes brutos. O brilho, que também remete à pedra rara, é dado por pontos esparsos de fibra ótica.

“Tiramos a pequena luminária da ponta e deixamos apenas o cabo com a extremidade luminosa”, detalha Letícia Nobell, autora do projeto e titular do escritório Plano B Arquitetura. A vitrine, um rasgo horizontal que avança para o interior da loja, utiliza vidro e aço inoxidável, com dimensões proporcionais às das peças em destaque.

“A vitrine menor valoriza as jóias e garante privacidade aos clientes”, justifica a arquiteta. A grande porta foi executada com madeira de demolição. Para a área interna, a arquiteta estabeleceu uma delicada combinação de materiais. A madeira, quase toda de demolição, dá conforto ao espaço.

No piso, pedra limestone na cor do concreto confere neutralidade e remete aos materiais brutos. Com a mesma intenção, foram especificadas placas cimentícias para o revestimento interno da parede da vitrine. Os espelhos ampliam visualmente o ambiente, enquanto vidro e aço inoxidável nos complementos dão leveza ao conjunto. Acomodar todos os itens previstos em área de dimensões bastante reduzidas foi um desafio.

Além disso, havia elementos estruturais e de instalações a serem ocultados. Na entrada, o forro de madeira rebaixado encobre a área técnica e uma falsa clarabóia esconde a viga. O layout reservou a parede dos fundos para a escada de acesso ao mezanino em balanço.

 
A fachada, revestida por placas de madeira com acabamento em laca cinza, tem desenho inspirado na lapidação de diamantes
 
Croqui
Área de atendimento no piso inferior, vista do mezanino

Este pode servir como um pequeno estúdio para a designer ou como área para atendimento vip. Os expositores se distribuem ao longo das outras três faces da joalheria. Entre eles, destacam-se 27 de pequenas dimensões, produzidos com vidro e aço inoxidável e fixados diretamente nas paredes. Cada um contém apenas uma jóia e a iluminação de destaque é dada por fibra ótica. “A intenção é dar a idéia de uma estante de livros, em que a pessoa escolhe aquele que deseja pegar”, explica Letícia. Nos expositores maiores, a luz provém de leds.



Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 344 Outubro de 2008

 
A escada de acesso ao mezanino está na parede dos fundos.
O guarda-corpo de ferro maciço é revestido por lâminas de madeira
  Letícia Nobell formou-se em arquitetura pela Universidade Federal do Paraná em 1996. Atuou nos escritórios Bell Development e HLW, em Nova York, e no Arquitectônica, em São Paulo, onde participou dos projetos e da execução das lojas do grupo LVMH - Louis Vuitton e Christian Dior. É titular do Plano B Arquitetura, escritório responsável pelo projeto de diversas obras comerciais e residenciais
Parte frontal da joalheria. O jogo de reflexos brinca com a noção
do espaço
 
Detalhe dos pequenos expositores individuais, elaborados com aço inoxidável e vidros de seis milímetros de espessura