Sérgio Roberto Parada Arquitetos Associados
Loja Light Design, Brasília
- Detalhes
- 15 de Fevereiro de 2008. Visitas: 56.853
Devidamente ambientado pelo espaço de proporções generosas, então, o visitante tem acesso aos setores em que a largura exígua anima, por contraposição, a delicada combinação de materiais, acabamentos e superfícies na cor branca.
Antes disso, contudo, vale mencionar o fechamento frontal dos mezaninos. Trata-se de malha metálica, vedada por painel duplo de chapas perfuradas brancas, que, além de garantir a privacidade e possibilitar a ventilação dos ambientes, cria interessante efeito de luz.
O sistema é solto do piso térreo, funcionando como uma espécie de alerta à entrada na loja, e estende-se até o teto elevado. A semitransparência das chapas perfuradas - moiré, tomando um empréstimo à linguagem das artes gráficas - faz com que os pisos superiores pareçam flutuar. E é nesse sentido que se desenvolve também o detalhamento das escadas retilíneas, posicionadas lateralmente a eles.
Na porção frontal da loja, as escadas separam os andares metálicos da divisa direita, de forma que tal junção seja substituída por vigas com ares de pergolado - uma referência às lojas de rua em meio à galeria comercial. Conseqüentemente, garantindo as alturas mínimas para a circulação dos visitantes, elas são assimétricas em planta, ou seja, têm patamar descentralizado em relação aos pisos revestidos com madeira. Os pergolados alinham-se em projeção aos lances menos inclinados das circulações verticais.
Predominam cores e acabamentos neutros, como as divisórias de vidro contrapostas ao piso contínuo de madeira, o que torna relevante a luminosidade das peças pendentes e embutidas (a luminária Orus, publicada na edição 333 de PROJETO DESIGN, de novembro de 2007, foi uma das vencedoras do IF Design Award, no final do ano), em interação com a arquitetura sofisticada.
Assim, o jogo entre integração, fluidez e retenção desses raios de luz distingue o projeto de Parada. As divisórias do térreo, por exemplo, com acabamento translúcido e frisos transparentes que fazem menção a uma superfície gelada, são de ordem oposta aos grandes planos lisos dos tetos e paredes em meio às quais estão implantadas.
A pequena largura da loja, minimizada ainda pela posição longitudinal das escadas, é quase imperceptível em função do refinamento dos interiores, a ponto de o corredor do primeiro mezanino ser utilizado como galeria de exposições. O resultado é uma loja de luminárias em que se enfatiza a natureza imaterial da luz.
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 335 Janeiro de 2008
Sérgio Roberto Parada formou-se em arquitetura em 1973 pela FAU/UFPR, onde lecionou de 1978 a 1979, simultaneamente à Universidade Católica do Paraná. Cursou mestrado em urbanismo na Universidade Nacional Autônoma do México e, de volta ao Brasil, após gerenciar e prestar consultoria a empresas de engenharia, constituiu escritório próprio em 1997, em Brasília

