Studio Arthur Casas

Shopping Cidade Jardim, São Paulo

Plantas, cortes e fachadas
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Detalhe do jardim do térreo. O projeto paisagístico utilizou árvores adultasDetalhe do jardim do térreo. O projeto paisagístico utilizou árvores adultas
Jardim descoberto cria atmosfera de lojas de rua
Com generosas aberturas zenitais, o pátio com vegetação abundante é o destaque do centro de compras. Além disso, chamam a atenção o detalhamento e o uso dos materiais, tal como o piso de placas de mineral agregado jateado.

Aberto no final de maio último, na zonal sul de São Paulo, o Shopping Cidade Jardim é a primeira etapa concluída de um empreendimento imobiliário composto também por nove edifícios residenciais e cinco comerciais, todos na linha que o mercado convencionou chamar de neoclássicos. A exceção fica com os espaços leves e contemporâneos dos interiores do centro de compras, primeira incursão de Arthur Casas nesse tipo de programa. “Não tinha nenhuma idéia preestabelecida. Só parti do princípio de que as lojas é que deveriam chamar a atenção”, explica o arquiteto, contratado pouco antes da inauguração justamente para fazer essa contraposição estilística. A construção tomou por referência o Bal Harbour Shops, em Miami, EUA, famoso pelo jardim central descoberto. “Os empreendedores do Cidade Jardim repetiram esse conceito para criar um shopping com jeito de lojas de rua”, afirma Casas. Dirigido a um público mais abastado, o centro de compras diferencia-se também pelo porte pequeno e por excluir, intencionalmente, os espaços de lazer para crianças e a praça de alimentação (há somente três opções gastronômicas).

Vista do átrio central, com as galerias de circulação
Vista superior do átrio central descoberto. O paisagismo exuberante marcam o centro de compras

As personagens principais são a rede de serviços e as 120 lojas (estão previstas mais 60) distribuídas por três pavimentos. Outros três pisos estão reservados, respectivamente, para sete salas de cinema, academia e spa. A organização se dá em torno do átrio central descoberto, elemento que assegura a iluminação e a ventilação naturais, dispensando o sistema de ar condicionado, e garante condições favoráveis ao paisagismo. Este, criado por Maria João d’Orey, ocupa o vazio do térreo, as floreiras que marcam os guarda-corpos dos pavimentos e cerca de 2 mil metros quadrados do segundo andar, em área reservada para a contemplação da paisagem e da vista para a cidade. Esse conjunto forma uma moldura verde, idealizada para tornar mais agradável o percurso das compras. O cenário neutro proposto por Casas assegura destaque às lojas e busca diálogo com o paisagismo.

Proposta foi elaborada de modo que as lojas se destaquem no espaço
O projeto de interiores baseia-se em materiais simples e neutros, os ventiladores ao longo das galerias promovem a circulação do ar

Tons de marrom predominam nos guarda-corpos e nos elementos de alumínio revestidos por aço corten usados no acabamento das escadas rolantes e nos arremates das fachadas das lojas. O piso é formado por placas préfabricadas com acabamento em agregado mineral de tonalidade clara e o mobiliário, assinado pelo arquiteto, emprega madeira cumaru certificada. Placas de drywall aparecem nos vedos internos e nas sancas com iluminação embutida. Ventiladores com pás de madeira pontuam o teto das galerias e promovem a circulação do ar.

Nos banheiros, que foram ambientados com madeira e pedra limestone, destacam-se as bacias, com descarga automática de procedência alemã, e torneiras que dispensam o toque manual para liberar e para interromper o fluxo de água. “São itens caros, pouco comuns em empreendimentos desse tipo”, explica Casas. No centro de compras, o arquiteto desenvolveu ainda os projetos da loja Huis Clos e do restaurante Kosushi.


Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 344 Outubro de 2008

Arthur de Mattos Casas cursou arquitetura na FAU/Mackenzie e formou-se em 1983. É titular do Studio Arthur Casas, que possui sedes em São Paulo e Nova York. Parte de seu trabalho foi reunido no livro São Paulo na arquitetura de Arthur Casas, uma coletânea com 20 de suas obras, lançada no ano passado, em São Paulo
O mobiliário assinado por Arthur Casas emprega madeira cumaru certificada
Os materiais utilizados buscam diálogo com o paisagismo
A cor marrom predomina nas circulações verticais
Grandes floreiras criam a moldura verde que torna mais agradável o percurso interno