Una Arquitetos
Estúdio Rodrigo Naves, São Paulo
- Detalhes
- 04 de Junho de 2009. Visitas: 42.151
Fichas técnicas
Fornecedores
Plantas, cortes e fachadas
O paralelismo dos passadiços laterais ameniza o desenho irregular da construção
Reforma otimiza espaço interno, eliminando divisões
Situado no coração do antigo Quartier Latin de São Paulo, este estúdio possui espaço para aulas ministradas por um crítico de arte e ateliê. O fechamento do acesso com ripas destaca a intervenção contemporânea.
“Muitos se interessavam por aquele lugar, mas a dona só aceitava vender. Foi aí que chegou o professor, faz cinco anos. O mesmo tempo que estou aqui, nessa esquina”, diz Cleiton, o livreiro ambulante que fica na confluência das ruas Doutor Vila Nova e Maria Antônia. “Rodrigo nos procurou no final de dezembro, animado com a casa. Pediu para vermos se cabia o programa, embora já tivesse fechado o negócio. Voltamos ao trabalho. Em fevereiro recomeçariam as aulas”, lembra Fernanda Barbara, do Una Arquitetos. Esses depoimentos dão pistas de duas condicionantes importantes: o curto prazo disponível (não mais do que três meses, incluindo o projeto) e a familiaridade que a construção guarda com as imediações.
O estúdio do historiador e crítico de arte Rodrigo Naves ocupa uma construção singela. O espaço abriga o pequeno escritório, a biblioteca, as instalações do curso de história da arte que ele ministra, além de parte de sua coleção de arte contemporânea. A casa está envolvida pelo conjunto de edifícios protegidos pelo patrimônio histórico que sediaram duas faculdades da Universidade de São Paulo entre os anos 1940/60: a de Filosofia, Ciências e Letras (atualmente abriga o Centro Universitário Maria Antônia e o Instituto de Arte Contemporânea) e a de Economia e Administração (hoje sede da Fundação de Amparo ao Preso).
Externamente, o estúdio de Naves tem certo vínculo fachadista com os adornos e janelas antigas, de ferro e pequenas subdivisões de vidro, existentes em construções dispersas pelo entorno. A morfologia do quarteirão, com edificações coladas umas nas outras, associa-se ao intenso fluxo de pedestres e veículos para dar a sensação de massa construída coesa. Contudo, o traçado dos lotes - sobretudo o desenho dos pátios de fundo - contradiz essa ordem aparente. Eles não só se interconectam através de vazios de miolo de quadra, como se organizam em desenho desordenado, com divisas assimétricas e desalinhadas entre si.
O estúdio do historiador e crítico de arte Rodrigo Naves ocupa uma construção singela. O espaço abriga o pequeno escritório, a biblioteca, as instalações do curso de história da arte que ele ministra, além de parte de sua coleção de arte contemporânea. A casa está envolvida pelo conjunto de edifícios protegidos pelo patrimônio histórico que sediaram duas faculdades da Universidade de São Paulo entre os anos 1940/60: a de Filosofia, Ciências e Letras (atualmente abriga o Centro Universitário Maria Antônia e o Instituto de Arte Contemporânea) e a de Economia e Administração (hoje sede da Fundação de Amparo ao Preso).
Externamente, o estúdio de Naves tem certo vínculo fachadista com os adornos e janelas antigas, de ferro e pequenas subdivisões de vidro, existentes em construções dispersas pelo entorno. A morfologia do quarteirão, com edificações coladas umas nas outras, associa-se ao intenso fluxo de pedestres e veículos para dar a sensação de massa construída coesa. Contudo, o traçado dos lotes - sobretudo o desenho dos pátios de fundo - contradiz essa ordem aparente. Eles não só se interconectam através de vazios de miolo de quadra, como se organizam em desenho desordenado, com divisas assimétricas e desalinhadas entre si.
Fotografia aérea, com o terreno assinalado no centro da imagem
Mantidos os elementos formais da fachada, a interferência do projeto fica evidente na nova porta, de madeira
O imóvel antes da intervenção
O escritório recebe a luminosidade e ventilação naturais, provenientes do pátio posterior
O projeto estruturou-se através da manutenção dos elementos marcantes da fachada e da demolição de toda a construção nos interiores. Abriu-se, assim, um pavimento livre e de pé-direito elevado. O programa, então, pôde ocupar o imóvel com a simplicidade que lhe era favorável, tanto no sentido da velocidade de implantação como no de mais espaço livre.
Criou-se verticalmente um limite tênue, embora eficiente, entre os domínios particular e compartilhado, com o escritório e a biblioteca implantados em mezanino e a área destinada aos cursos e ambientes funcionais dispostos no térreo, na cota antiga, ou seja, semielevada em relação à rua (quando a reforma foi iniciada já não existia porão).
São os passadiços laterais e contínuos que amenizam visualmente essa distinção, entrosados que estão ao traçado da biblioteca - mais de 200 metros lineares de prateleiras -, aos sistemas de iluminação artificial, sustentação (atirantada no telhado) e de transição de materiais e cores, do branco das superfícies do térreo para a madeira do mezanino e cobertura.
No espaço central, as proporções mais generosas dos interiores favorecem a apreciação de obras de arte em meio à iluminação amena que banha o estúdio. O programa, nesse sentido, é um dos trunfos do projeto, dada a pouca demanda por iluminação que o caracteriza. Grande parte do período das aulas transcorre às escuras, projetando-se imagens sobre a superfície regular da alvenaria dos banheiros, o que propiciou até mesmo a supressão do vão-luz de uma das janelas da fachada frontal, vedada com chapa metálica.
Criou-se verticalmente um limite tênue, embora eficiente, entre os domínios particular e compartilhado, com o escritório e a biblioteca implantados em mezanino e a área destinada aos cursos e ambientes funcionais dispostos no térreo, na cota antiga, ou seja, semielevada em relação à rua (quando a reforma foi iniciada já não existia porão).
São os passadiços laterais e contínuos que amenizam visualmente essa distinção, entrosados que estão ao traçado da biblioteca - mais de 200 metros lineares de prateleiras -, aos sistemas de iluminação artificial, sustentação (atirantada no telhado) e de transição de materiais e cores, do branco das superfícies do térreo para a madeira do mezanino e cobertura.
No espaço central, as proporções mais generosas dos interiores favorecem a apreciação de obras de arte em meio à iluminação amena que banha o estúdio. O programa, nesse sentido, é um dos trunfos do projeto, dada a pouca demanda por iluminação que o caracteriza. Grande parte do período das aulas transcorre às escuras, projetando-se imagens sobre a superfície regular da alvenaria dos banheiros, o que propiciou até mesmo a supressão do vão-luz de uma das janelas da fachada frontal, vedada com chapa metálica.
Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 350 Abril de 2009
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 350 Abril de 2009
Criado em 1995, o escritório paulistano Una Arquitetos é constituído por Cristiane Muniz, Fábio Valentim, Fernanda Barbara e Fernando Viégas, todos formados pela FAU/USP, entre 1993 e 1994.
Entre outros prêmios, obteve o segundo lugar nas categorias Cônego Eugênio Leite e Conjunto Assembléia do concurso Habitasampa, do IAB/SP, em 2004

Uma matriz de gravura de Oswaldo Goeldi adorna a fachada, sinalizando o novo programa
O passadiço lateral, atirantado à cobertura, serve de suporte para a iluminação indireta que banha sutilmente as obras
de arte
de arte
Vista em direção ao escritório, com iluminação natural incidente pelo pátio dos fundos
O espaço amplo dos interiores deriva da setorização vertical e da reconstrução da cobertura. A eliminação de tesouras do telhado evidenciou a totalidade do pé-direito

