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O escritório LD Studio, das
arquitetas Mônica Lobo e Inês
Benevolo, é responsável pelo projeto
de iluminação dos cinemas da rede Kinoplex
do shopping Parque Dom Pedro, em Campinas, SP. São
quinze salas onde se percebe, na arquitetura e na iluminação,
a inevitável influência das redes internacionais,
que, em complexos desse tipo, operam há mais
tempo no país. As salas exibem, porém,
luminárias de desenho nacional e exclusivo.
Proprietário da rede, o grupo Severiano Ribeiro
administra vários cinemas no país. No
shopping campineiro, o grupo passou a explorar pela
primeira vez um complexo cinematográfico com
quinze salas - modelo de cinemas trazido ao país
por redes internacionais. Era inevitável, portanto,
admitem os escritórios de arquitetura e de iluminação
envolvidos no projeto, que o primeiro Kinoplex fosse
influenciado pela estética estrangeira.
Em Campinas, as salas têm como apoio um amplo
foyer (670 metros quadrados), três bonbonnières,
um café e uma loja temática. No projeto
de arquitetura, a premissa foi criar salas com boa visibilidade
em todos os assentos; por isso, as platéias estão
organizadas no formato de estádio, desenho
que permite ótima visão da tela em qualquer
posição.
O caráter internacional do complexo tomado
como base na arquitetura foi reforçado pelo projeto
de iluminação. “Valorizamos a arquitetura
monumental do lobby”, diz a arquiteta Mônica Lobo,
“privilegiando a iluminação dos planos
verticais com luz indireta” - o uso da cor na iluminação
é uma característica do grupo, que sempre
apresenta efeito de cor azul na fachada ou marquise.
No Kinoplex campineiro, esse efeito tomou maior proporção,
conferindo atmosfera teatral ao grande espaço
do lobby. A iluminação da circulação
das salas é feita de forma indireta, com as lâmpadas
colocadas em sancas e a iluminação pontual
destacando as portas de acesso às salas.
Bonbonnière, loja e café apresentam o
mesmo padrão, ou seja, o partido internacional,
evidenciando os planos verticais aos quais se somam
a iluminação pontual para destaque
do produto.
A iluminação das salas exigiu o desenvolvimento
de luminária específica. Havia
intenção de marcar as paredes laterais
com arandelas, peças de iluminação
que, historicamente, caracterizam as salas de cinema.
As peças deveriam também estar alinhadas
pelo topo, mesmo com variações no
pé-direito (de 2,70 a 8 metros). “Essas arandelas
teriam ainda a função de complementar
a iluminação geral, pois não poderíamos
embutir pontos no forro ao longo da sala”, explica Mônica.
A exceção são as luminárias
para a iluminação da tela.
As autoras desenvolveram um sistema de iluminação
no qual a luminária (conjunto formado pela lâmpada,
equipamento auxilar e corpo), disposta em altura que
permite sua fácil manutenção,
apresenta-se desvinculada da superfície que gera
a luz - essa superfície é um rebatedor
em chapa metálica pintada em branco fosco.
O rebatedor, elemento de maior destaque, é
usado para fazer o alinhamento, acompanhando as variações
de pé-direito. “O desenho da peça”, observa
a autora, “intencionalmente enfatiza um caráter
art déco”, fato que, para ela, revela outra
influência histórica em salas de cinema
nacionais.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 288 Fevereiro de 2004
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