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O projeto luminotécnico - de
autoria dos arquitetos Gilberto Franco e Carlos
Fortes - rouba a cena na casa de eventos Blast,
localizada na zona sul de São Paulo. Elaborada
a partir de projeto do arquiteto Arthur de Mattos Casas,
a Blast é voltada principalmente ao público
jovem. Porém, as múltiplas possibilidades
de climas e situações criados a partir
da manipulação da luz dão ao espaço
notável versatilidade.
Na efervescente e concorrida noite paulistana, a casa
de eventos, situada na Vila Olímpia -
bairro que, nos últimos anos, acolheu dezenas
de edifícios comerciais e é a mais procurada
região da cidade para as baladas noturnas -,
vem conseguindo se destacar.
Ocupando um antigo galpão reformulado
para o novo uso, ela se destina apenas a eventos fechados
e foi idealizada por Mattos Casas, que propôs
ao escritório Franco & Fortes desenvolver
o projeto luminotécnico. O trabalho de luminotecnia
teve como ponto de partida as idéias de Casas,
às quais foram acrescidas contribuições
dos lighting designers.
“O proprietário solicitou um projeto no qual
as cores pudessem ser alteradas pela luz, propiciando,
com grande flexibilidade, os climas adequados a cada
situação”, conta o arquiteto Gilberto
Franco, do escritório Franco & Fortes.
Casas idealizou uma parede luminosa, concepção
aprofundada e tecnicamente resolvida pelos arquitetos
de iluminação. A parede é, efetivamente,
a estrela do projeto - as outras fontes de luz locais
fornecem, em geral, iluminação funcional.
O sistema de combinação de fontes de
luz utilizado em uma das paredes laterais apresenta
similaridade com o funcionamento das telas de
televisão e monitores de computador.
“Com a combinação de luzes, comandada
a partir de um software, é possível
obter os mais variados tipos de cores”, explica Franco.
O tempo de exposição de cada uma dessas
tonalidades também é programável.
Mesclando as duas variáveis, obtêm-se então
numerosas possibilidades de composição,
adequadas a cada evento.
As linhas de lâmpadas fluorescentes - nas três
cores básicas que se misturam (vermelho,
verde e azul) - estão fixadas num nicho no alto
da parede e direcionam a luz para baixo. Cada cor está
ligada a um circuito elétrico independente
e dimerizado. Uma falsa parede - uma linha de telhas
translúcidas - à frente da de alvenaria
difunde e dá caráter homogêneo à
iluminação percebida pelo observador.
“Cada dimmer é controlado pelo computador, que
define a dosagem da cor, o tempo de duração
e o período de transição
entre uma cor e outra”, diz o arquiteto Carlos Fortes.
Ele explica que as luminárias da parede dividem-se
em quatro segmentos: o primeiro ilumina o bar e parte
do lounge; os demais, o restante do lounge e a pista
de dança. Esta - com piso de vidro que
simula uma piscina - recebeu luzes fluorescentes com
filtro azul fixadas em nichos no piso.
O balcão do bar é uma caixa de vidro
iluminada de dentro para fora, também com controle
dimerizado.
A iluminação complementar do espaço
é feita a partir do teto, com fachos controlados
e orientados para baixo, de modo a não interferir
com a parede principal. O bar está no mezanino,
que pode ser isolado acusticamente e tem iluminação
difusa e de baixa intensidade.
Na entrada, a porta, que abre na vertical e se transforma
em marquise, foi iluminada com leds de facho ultraconcentrado,
projetando uma linha de luz no piso. A fachada, em pré-moldado,
simula a textura de revestimento do tipo canjiquinha,
valorizada pela iluminação rasante.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 288 Fevereiro de 2004
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