Senzi Consultoria Luminotécnica
Luminotécnica de academia, São Paulo
  
    
  
 Nas salas de ginástica e spinning, a reflexão no piso produz efeito  homogêneo e intenso
     
 
Luminárias geométricas definem linguagem de forte apelo visual
 
A personalização de luminárias e sistemas de iluminação foi a diretriz de Neide Senzi para o projeto luminotécnico da unidade-piloto do Pelé Club, centro de atividade física e esportiva inaugurado em meados de 2005, no bairro paulistano do Itaim-Bibi. Com esse partido, a lighting designer atendeu à demanda por linguagem com forte apelo visual, que tivesse, contudo, baixo custo operacional e de implantação.

Um dos principais desafios da proposta, além do aspecto econômico, foi conciliar as condicionantes técnicas e de conforto visual à iluminação que remetesse a atributos de tecnologia, inovação, exclusividade e sofisticação. “O objetivo era criar uma espécie de equivalente luminotécnico à identidade da marca”, explica Neide. Com três sistemas principais, a lighting designer transformou um modelo até certo ponto monótono - iluminação homogênea, de elevada intensidade e totalmente difusa - em projeto com forte personalidade. “Não era possível adotar as linguagens decorativa e cênica, porque recursos como o uso de pontos focais poderiam resultar em ofuscamento ou alto custo de implantação”, ela comenta.

Na área da musculação que tem pé-direito duplo e cobertura metálica levemente curva, o desenho de luminárias tubulares atende a estudos fotométricos e de geometria que têm como inimigo possíveis zonas sombreadas. Elas devem ser evitadas em academias, já que significativos contrastes de intensidades luminosas geram cansaço visual.

Com desenho em forma de X e configuração de fácil memorização - apropriada, portanto, a um sistema que pretende integrar a identidade visual da marca -, a luminária criada por Neide para esse setor une quatro pendentes com lâmpadas de vapor metálico de 450 watts, fonte adequada ao pé-direito elevado em virtude de sua intensidade. O elemento articulador do projeto da peça é o ângulo de abertura do facho luminoso, manipulado pela autora através do desenho do refletor metálico inserido no interior do pendente. Assim, um difusor de luz (placa circular de vidro translúcido) foi posicionado na altura exata para conter o facho nos limites do vidro.

Já nas salas fechadas, para aulas de spinning e ginástica, foi criado sistema manual de iluminação colorida. Em vez de sofisticados mecanismos automáticos de troca de cor, como o RGB, as luminárias empregam antigas fluorescentes tubulares, acionadas independentemente por circuitos isolados. A alternância de tons ocorre a critério dos instrutores. Os raios luminosos são difundidos por círculos de acrílico translúcido e o pé-direito rebaixado faz com que a reflexão da luz no piso otimize a intensidade de iluminação geral.

Nos ambientes de circulação e funcionais, como administração e recepção, o projeto luminotécnico previu a instalação de luminárias industrializadas de forma diferenciada: o recorte do forro faz com que as peças, denominadas pela lighting designer cubos de gelo, fiquem semi-sobrepostas, “o que confunde a percepção espacial e, portanto, reforça a apreensão e memorização visual”, explica Neide. Também nesses ambientes, o princípio geral da iluminação é o difuso.


Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 315 Maio de 2006
 
  Neide Senzi, arquiteta especializada em luminotécnica, atua na área desde 1994.
Participou do curso Architectural Lighting, na Penn State University, nos EUA. É membro da European Lighting Designer Association, da Illumination Engineering Society of North America e da Associação Brasileira de Arquitetos de Iluminação
 
Vista em direção à marquise da entrada, que tem volumetria
cúbica e é iluminada por refletores internos
 
A iluminação indireta da área frontal da academia valoriza, pela intensidade, a grande fachada de vidro
 
Chamadas de cubos de gelo, as peças retangulares comerciais que utilizam lâmpadas fluorescentes são visíveis da rua
 
Circuitos independentes permitem a combinação manual de cores (Vermelho)
 
Circuitos independentes permitem a combinação manual de cores (Azul)
 
No mezanino sobre a musculação, a iluminação indireta é feita através de luminária contínua
 
 
Circuitos independentes permitem a combinação manual de cores (Verde)
 
Os pendentes cilíndricos da musculação são unidos por tirantes e por placa circular de vidro translúcido
 
 
 A área de pé-direito rebaixado da musculação é iluminada pelos cubos de gelo
  
Detalhe das luminárias circulares da sala de ginástica

Ficha Técnica

Academia Pelé Club

Local
São Paulo, SP
Início do projeto
2004
Conclusão da obra 2005
Área de intervenção
1.800 m2
Luminotécnica
Senzi Consultoria Luminotécnica
- Neide Senzi
Arquitetura
Maria Paula Ouang e Maria Regina
Pertusier
Construção
Lock
Fotos
Zezinho Gracindo

 

Fornecedores

Alloy, Ledpoint, Transelétrica (luminárias); Osram (lâmpadas e reatores); Refax (forros metálicos)

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