Senzi Consultoria Luminotécnica
Luminotécnica de escritório, São Paulo
 
  A iluminação natural e a artificial atuam em parceria nas grandes salas de investimentos
 
Consumo racional é obtido com luzes natural e artificial

A iluminação, como outros sistemas ditos complementares, costuma travar acirradas disputas por espaço e visibilidade no desenvolvimento dos projetos de arquitetura. Não foi este o caso na área administrativa e de investimentos do banco Pactual, em São Paulo, que teve luminotécnica criada por Neide Senzi e arquitetura de Athié Wohnrath. Luzes natural e artificial trabalham de forma integrada e orientada para o conforto visual e a racionalização do consumo energético.

Nos dois pavimentos retangulares do edifício, situado na avenida Brigadeiro Faria Lima, postos de trabalho paralelos e próximos às duas faces de vidro configuram a setorização dos interiores, sem que, apesar da insolação desfavorável (leste e oeste), se tenha gerado a demanda por sistemas blackout de proteção das janelas e o superdimensionamento da luz artificial e das instalações de ar condicionado.

Com a luz natural como parte integrante do projeto luminotécnico, o desempenho térmico foi minimizado pela criação de câmara de ar quente e pela implantação de insufladores de ar condicionado junto às fachadas.

 
Com a menor luminosidade natural, entram em ação as luminárias fluorescentes e seus rebatedores côncavos
 
  Corte esquemático
 

A iluminação natural e a artificial são articuladas pela ação de sensores especiais, conectados a reatores eletrônicos dimerizáveis. Orientados pela meta de 500 lux por metro quadrado junto aos postos de trabalho, eles informam sobre a necessidade de acionamento do sistema ótico criado por Neide, no qual luminárias de mesa, retangulares e feitas com aletas metálicas antiofuscamento, criadas especialmente para o projeto, estão associadas a rebatedores curvos pendurados no teto.

Embora a separação entre fonte de luz e superfície de reflexão esteja ligada a questões como ocultar a fonte luminosa e otimizar o baixo pé-direito, no banco Pactual a arquiteta teve que enfrentar pormenores de sutil complexidade.

O conjunto de funcionamento integrado requer que se estipule a distância entre seus elementos e, portanto, as alturas de um e de outro. Os limites eram, para a luminária, a maior altura possível para o não ofuscamento visual de um funcionário em percurso pelo corredor lindeiro à mesa, e, para o refletor, a localização ideal para homogeneamente concentrar-se a luz rebatida na superfície de trabalho.

Outro condicionante igualmente prioritário foi a posição e curvatura dos anteparos, que poderiam causar prejuízos à acústica, reverberando as falas locais e individuais por todo o ambiente. A curvatura apropriada foi, então, equacionada com a consultoria de acústica, embora restasse a dificuldade para a luz e para o som, dessa vez imposta pela arquitetura. Os anteparos côncavos não são alinhados, nem horizontal nem verticalmente, o que exigiu de Neide finos cálculos e grande dose empírica.

 
Detalhe do forro com chapas metálicas côncavas, que têm diâmetros compatíveis com o bom desempenho acústico
 
A iluminação vertical foi utilizada também em corredores privativos, onde se evidencia a luz indireta no forro
 
  Também nos setores administrativos a iluminação é do tipo indireta, embora mais enfaticamente apoiada em luminárias de teto
 

Nas demais áreas do banco - administrativas, funcionais e de circulação -, a iluminação é também do tipo difusa, orientada sobretudo para a otimização do fluxo luminoso entre os ambientes. Assim, corredores foram iluminados indiretamente através da luz proveniente de salas envidraçadas; áreas de espera tiveram iluminação reduzida e concentrada no desempenho de suas funções; em resumo, eliminaram-se possíveis focos decorativos ou de destaque. Como resultado, Neide assinala ter obtido conforto visual sem perda luminosa.

Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 327 Maio de 2007
  Neide Senzi é arquiteta especializada em luminotécnica, área em que atua desde 1994. Participou do curso Architectural Lighting, desenvolvido pela Penn State University, nos EUA. É membro da European Lighting Designer Association, da Illumination Engineering Society of North America e da Associação Brasileira de Arquitetos de Iluminação
 
A iluminação das áreas de estar e circulação ocorre de forma indireta, através da luz proveniente de salas envidraçadas e contíguas
 

Ficha Técnica

Banco Pactual
Local
São Paulo, SP
Início do projeto 2006
Conclusão da obra 2006
Área de intervenção 2.450 m2
Arquitetura Athié Wohnrath
Luminotécnica Senzi Consultoria Luminotécnica - Neide Senzi (autora)
Consultoria de acústica Alexandre Srenewski
Fotos Andrés Otero

 
Os pontos de teto foram suprimidos ao máximo. Neste corredor, optou-se por iluminação de parede para enfatizar características arquitetônicas
 

Fornecedores
Lumini, Wall Lamps (luminárias); Lutron (controle de cenas e dimerização das salas de conferência e auditórios); Osram, Philips (lâmpadas); Vossloh Schwabe (sensores e reatores dimerizáveis)

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