Senzi Consultoria Luminotécnica
Luminotécnica de parque, São Paulo
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  Esquemas luminotécnicos
 
Soluções simples privilegiam usuário de equipamento público
A lighting designer Neide Senzi desenvolveu o projeto luminotécnico e o desenho das luminárias externas para o parque da Juventude, que está na reta final de implantação. O trabalho buscou soluções simples e econômicas, com baixo consumo de energia elétrica e o favorecimento do usuário por meio de uma proposta em acordo com a escala humana. A especificação procurou limitar a variedade de lâmpadas e luminárias, de modo a facilitar a reposição e a manutenção.

Implantado em parte da área do antigo Complexo Penitenciário do Carandiru, na zona norte paulistana, o parque da Juventude enterra para sempre o símbolo maior da ineficiência do sistema prisional brasileiro. A obra renovou a paisagem e a qualidade de vida na região, tirando da vista o cenário de horrores para dar lugar a uma área pública com aproximadamente 240 mil metros quadrados dedicados ao esporte, à contemplação da natureza e à educação. Esse conjunto, que chega agora à reta final de sua terceira e última fase de reurbanização (leia o quadro), foi projetado por Aflalo & Gasperini Arquitetos, com paisagismo de Rosa Grena Kliass e luminotécnica de Neide Senzi.

A iluminação, que possibilita o uso noturno, atende aos pontos em que a luz é realmente necessária, sem desperdícios. O foco está na baixa potência, o que implica pequeno consumo, e na facilidade de manutenção, que preserva a qualidade do equipamento público. “Se trabalhássemos com muitos itens, haveria dificuldades com estoque para reposição e nem sempre as lâmpadas estariam nas luminárias corretas”, detalha Neide. Ela desenvolveu três sistemas que se restringem a iluminar elementos arquitetônicos e circulações, predominantemente a partir de luz de tonalidade amarelada, e a criar destaques pontuais no paisagismo, sempre realçado por luz de alta temperatura de cor (de 4 mil a 5 mil kelvins). “A luz amarela o desvaloriza”, explica.

Nas circulações foram empregadas lâmpadas de vapor metálico de 150 watts. Nesse sistema, a luminária em destaque é o poste Coluna P5, com 12 metros de altura e seis projetores móveis, que lembram pétalas. Eles utilizam seis lâmpadas com foco fechado nos refletores, que por sua vez criam o efeito de uma espiral luminosa com abrangência de 360 graus. Esses postes - oito no total - estão localizados na praça próxima das edificações, a cerca de 30 metros de distância um do outro.

A mesma lâmpada responde pela marcação do ritmo dos pilares da extensa marquise que nasce no parque Esportivo e ganha continuidade até os pavilhões reformulados. Dessa vez ela aparece em luminárias feitas sob medida para caber no vão entre o piso e a sapata da fundação. “A luz explode na cobertura e dá iluminação indireta à passagem”, observa Neide. Para o balizamento das circulações descobertas, a profissional empregou postes tubulares de quatro metros de altura e refletores internos que limitam a incidência luminosa a 180 graus. Somente nos cruzamentos e nas áreas em que há bancos a iluminação se dá em 360 graus.

Nos pontos de destaque do paisagismo, onde foram adotadas lâmpadas de vapor metálico de 70 watts, Neide trabalhou com foco fechado nas árvores mais altas e foco aberto nas copas largas. A maioria das lâmpadas está em luminárias embutidas no piso, previamente preparado com drenagem. A exceção fica por conta dos projetores com lâmpadas de 5 mil kelvins, que foram fixados com cinta de borracha aos galhos de algumas árvores para criar o efeito de luz do luar e fazer a marcação dos caminhos. Para as áreas esportivas, a especificação é de lâmpadas de vapor de sódio de 400 watts, consideradas as mais eficientes para essa finalidade.

Também desenvolvida por Neide, a iluminação dos interiores repete o conceito de racionalização, que busca combinar funcionalidade, conforto visual e baixo consumo. Um dado importante é o pé-direito de 2,30 metros nos corredores e nas salas de aulas (onde antes estavam dispostas as celas). Como não havia espaço para instalações embutidas, a solução foi utilizar luminárias de sobrepor, equipadas com duas fluorescentes tubulares T8 de 32 watts e 4 mil kelvins. Nas áreas administrativas, essas lâmpadas reaparecem na mesma luminária, porém em versão de embutir e com refletores e aletas parabólicas.

Nos corredores, arandelas a dois metros de altura proporcionam iluminação indireta, dando sensação de amplitude ao pé-direito. No arremate, lâmpadas de vapor metálico de 250 watts, em luminárias com refletores, promovem iluminação indireta para o átrio central de 15 metros, altura correspondente aos quatro pavimentos mais cobertura.


Última etapa de implantação reforça vocação educacional

O parque da Juventude é um conjunto dividido em três áreas, implantadas em etapas. A primeira abrangeu o parque Esportivo (leia PROJETO DESIGN 291, maio de 2004); a segunda deu lugar ao parque Central (PROJETO DESIGN 299, janeiro de 2005) e a terceira envolve o chamado parque Institucional, no qual dois pavilhões prisionais remanescentes passaram por profundas intervenções, que os transformaram em centros educacionais focados no ensino tecnológico.

Esquema luminotécnico da terceira fase de obras, correspondente ao parque Institucional
Nessa terceira fase, a área ganhou um pavilhão de exposições, prestes a ser inaugurado. O parque Institucional conta ainda com o projeto pronto para a construção de um teatro, cuja viabilização não tem prazo previsto, pois depende de parcerias a serem firmadas com a iniciativa privada. Por fim, cogita-se a implantação de um bloco menor, exclusivamente para o ensino de artes cênicas, incluindo a escola de dança, que será instalada provisoriamente numa ala do pavilhão de exposições.
Esquema luminotécnico geral do parque. As manchas brancas referem-se à iluminação do paisagismo, enquanto as amarelas abrangem as áreas de circulação

Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 338 Abril de 2008



 
Esquemas luminotécnicos
 
Detalhes da iluminação da marquise em seu trecho inicial, no parque Esportivo
 
A marquise estende-se para interligar os blocos. O tratamento luminotécnico é o mesmo em toda a sua extensão
 
A luz realça os pilares de aço corten
 
A marquise ganhou continuidade e chega agora aos pavilhões reformulados
 
O poste em evidência é o modelo Coluna P5, que garante abrangência luminosa de 360 graus
 
A iluminação embutida no piso marca o ritmo dos pilares e explode na cobertura para oferecer luz indireta à passagem
 
Nos interiores, a iluminação concilia funcionalidade, conforto visual e baixo consumo
  Neide Senzi é arquiteta especializada em luminotécnica, área em que atua desde 1994. Participou do curso Architectural Lighting, desenvolvido pela Penn State University, nos EUA. É membro da European Lighting Designer Association, da Illumination Engineering Society of North America e da Associação Brasileira de Arquitetos de Iluminação (Asbai)
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