Franco & Fortes Lighting Design
Luminotécnica de bar, São Paulo
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  Luminárias embutidas no piso, rente aos troncos, jogam a luz para cima
 
Composição de luzes cria nuances em favor da percepção espacial
O Escape segue o conceito de style bar, nascido nas metrópoles do hemisfério norte, e representa uma opção para quem aprecia um espaço intimista. A proposta luminotécnica de Gilberto Franco e Carlos Fortes foi determinante para o projeto alcançar ambientação leve e melhor percepção dos espaços. O sistema predominante é o RGB, programado dentro de uma paleta restrita e com mudanças sutis das cores.

O style bar surgiu na virada para o século 21 e engloba ambientes para entretenimento noturno que visam oferecer aos clientes uma válvula de escape em meio ao caos das grandes cidades. Para isso se valem especialmente de uma atmosfera atual e serena, na qual arquitetura, decoração, iluminação e sonorização estimulam os sentidos.

É nesse conceito que se baseia o bar Escape, inaugurado no final de 2007 no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo. O projeto arquitetônico do Studio Arthur Casas Arquitetura e Design estabeleceu uma ambientação limpa e contemporânea, com poucos elementos distribuídos harmonicamente, pés-direitos elevados e a grande teia de aranha pintada pela artista plástica argentina Agustina Nuñes. A proposta luminotécnica, assinada por Gilberto Franco e Carlos Fortes, reforça a intenção de criar um cenário agradável e intimista, que estimula a degustação de drinques, da mesma forma como são saboreados pratos da alta gastronomia.

 
Detalhe da grande prateleira, destacada pelo uso de
lâmpadas xenon
 
  A iluminação quente cria a ambientação intimista, um convite à permanência
 

Entre os pontos altos do projeto está o jardim de entrada, com sua pequena floresta de troncos secos. Essa área, que faz a transição entre a rua e os espaços internos, tem pé-direito de cinco metros e teto revestido por espelho. Ali, os luminotécnicos optaram por uma iluminação de baixo para cima, com lâmpadas de vapor metálico de tom amarelo, complementadas por filtro da mesma cor (a fim de reforçar o tom quente) e instaladas em luminárias embutidas no piso, sempre rentes aos troncos. O espelho cria uma chuva de luz quase feérica, que produz efeito interessante na modelagem dos galhos e estabelece uma barreira visual entre a cidade e o bar, cumprindo assim a proposta de demarcar o refúgio urbano. O mesmo tratamento foi dado ao jardim nos fundos, onde uma grande árvore foi preservada.

O conjunto recebe iluminação geral indireta a partir de sancas de gesso que direcionam a luz para cima. Elas embutem fluorescentes tubulares em sistema RGB, cada uma delas dotada de um filtro translúcido que ajuda a mesclar e dar maior saturação às cores. Filtros opalinos fecham as sancas e implicam mais uniformidade e sutileza luminosa. A programação varia dentro de uma paleta restrita a tons de violeta, vinho, azul e verde, selecionados em função do mobiliário. A gradação é lenta e suave, de modo que o cliente não se dá conta do momento da mudança. “O sistema RGB permite criar qualquer tonalidade. O que faz a diferença neste projeto é a parcimônia com que programamos as cores e a velocidade de transição”, detalha Franco.

 
A iluminação geral emprega fluorescentes em sistema RGB, programado para mudanças lentas e sutis das cores
 
  A parede do mezanino foi trabalhada por lâmpadas incandescentes comuns de 150 watts dimerizadas
 

Essa luminosidade tênue e agradável faz o pano de fundo para alguns elementos trabalhados em destaque, em especial as prateleiras das garrafas. Elas são iluminadas de baixo para cima com lâmpadas xenon de tipo próprio para aplicações arquitetônicas (não confundir com as utilizadas em faróis de automóveis). Com temperatura de cor próxima à das incandescentes comuns, foram equipadas com filtros para reforçar a tonalidade quente e dimmers que asseguraram um efeito mais suave, compatível com o da iluminação geral. Outro detalhe diferenciado é o uso de incandescentes transparentes nuas de 150 watts, dimerizadas para formar desenhos aleatórios nas áreas de estar localizadas no mezanino e abaixo dele. “Essa idéia já estava na proposta de Arthur Casas”, finaliza Franco.


Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 338 Abril de 2008

 
A vista para a entrada evidencia as sancas em meia altura
 
Pontos de luz marcam o ritmo dos pilares
  Os arquitetos Gilberto Franco (FAU/USP, 1981) e Carlos Fortes (FAU/UFRJ, 1986) são sócios no escritório Franco & Fortes Lighting Design, que constituíram em 1997. Em 2007, a dupla recebeu Award of Merit na 24ª premiação do Iald, pelo projeto luminotécnico do Museu da Língua Portuguesa (leia PROJETO DESIGN 315, maio de 2006)
 
  A porta de entrada é revestida internamente por espelho que duplica o espaço e a luz
 
Acesso aos banheiros. O espelho duplica a iluminação
embutida no piso
 
A luz intensa no jardim funciona como barreira visual entre
a rua e o interior do bar
 
 

O jardim dos fundos é descoberto, mas recebeu tratamento semelhante ao da floresta de galhos da entrada

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