Carlos Rossi, Rodrigo Jardim e Rodrigo Salerno
Luminotécnica de sede administrativa, São Paulo
- Detalhes
- 24 de Maio de 2010. Visitas: 22.108
A grande dificuldade do projeto luminotécnico foi conciliar a elevada absorção da luz incidente em revestimentos escuros e o desejo de criar no ambiente a sensação de bem-estar. Ou seja, mesclar tipos diferentes de luminárias e fontes de luz a favor da luminosidade homogênea dos espaços, minimizando-se a ocorrência de contrastes acentuados.
A especificação criteriosa equacionou em parte o problema, sobretudo no que diz respeito à utilização de luminárias com refletores dark light. São componentes, como explica Jardim, que direcionam o facho de luz sem a interferência do reflexo luminoso no próprio corpo refletor, de modo a valorizar a chamada luz de preenchimento, ou geral, dos ambientes. Em boa parte dos setores destinados ao uso comum, como o foyer, a biblioteca e as salas de reuniões, a intenção foi ocultar a fonte de luz, adotando-se equipamentos livres de reflexos internos.
Também a relação equilibrada entre lâmpadas fluorescentes e incandescentes atuou nesse sentido, mesclando-se distintas aberturas de fachos de luz. “A ideia foi enfatizar a iluminação focada nos objetos”, comenta Salerno, referindo-se à diretriz principal do projeto de luminotécnica.
Em certa medida, a aparência geral da iluminação é a de espaço expositivo, com recorrente iluminação dirigida. Diante do homogêneo tratamento visual da arquitetura, em que se destacam ambientes de grandes dimensões e uso flexível, marcados pela tonalidade escura dos materiais, a iluminação artificial acaba por desempenhar papel primário na leitura arquitetônica, orientando os fluxos e destinações dos diversos setores.
Em contrapartida, entram em ação os sistemas de iluminação geral anteriormente mencionados, que minimizam o efeito contrastante dos focos concentrados.
Os corredores e o grande foyer do térreo, por exemplo, são marcados pela luz indireta e homogênea das sancas invertidas, assim como, neste último, pela iluminação complementar feita por refletores de luz dicroica, acoplados aos trilhos fixos no forro.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 361 Março de 2010
Carlos Rossi (FAU/Belas Artes, 1988) é titular do escritório Carlos Rossi Arquitetura. Rodrigo Jardim (PUC/Goiânia, 1993) e Rodrigo Salerno (FAU/USP, 2003) atuam juntos, há quase uma década, no desenvolvimento de projetos de iluminação arquitetônica


