Franco+Fortes Lighting Design
Sesc Belenzinho, São Paulo
- Detalhes
- 18 de Novembro de 2011. Visitas: 4.908
O Sesc Belenzinho foi implantado no terreno anexo à sede geral do Serviço Social do Comércio (leia PROJETO DESIGN 314, abril de 2006), na zona leste de São Paulo, e constitui um empreendimento de 50 mil metros quadrados de área construída, incluindo teatro para 400 pessoas, outros espaços menores para espetáculos, variadas instalações esportivas, amplo conjunto aquático, áreas de exposição, biblioteca, clínica odontológica, restaurante e café e quase 500 vagas de estacionamento, entre outros ambientes.
Parte das construções originais do terreno, onde funcionaram a tecelagem do Moinho Santista e, mais tarde, o próprio Sesc, foi demolida e parte passou por retrofit a fim de dar lugar ao novo conjunto, hoje composto pelo edifício de três pavimentos e pelos dois blocos para quadras e restaurante.
Além da extensão e da complexidade do programa, o projeto de luminotécnica deveria atentar para fatores que garantissem funcionalidade e facilidade de operação. O contratante tem critérios rígidos e busca soluções duráveis e de manutenção simples, como luminárias resistentes e acessíveis ou lâmpadas de longa vida útil.
Também dá preferência a produtos nacionais, itens de fácil reposição e soluções padronizadas sempre que possível, deixando as especificidades somente para quando o uso do espaço exigir respostas individuais.
“O projeto durou anos e passou por mudanças ao longo do tempo. O Sesc está sempre se adaptando e incorporando atividades culturais e esportivas. Isso quer dizer que até o último momento pode haver alterações conceituais e bastante significativas no projeto”, explica Gilberto Franco, um dos autores da proposta de iluminação do Sesc Belenzinho.
Sem esquecer a funcionalidade e a eficiência, o projeto luminotécnico do Sesc Belenzinho buscou criar ambientações acolhedoras e valorizar a identidade do conjunto arquitetônico, que faz uma releitura da linguagem fabril das construções originais do lote.
No restaurante, denominado comedoria, os profissionais valorizaram a luz natural que incide pelos sheds e criaram a iluminação geral usando lâmpadas de vapor metálico de facho assimétrico e tonalidade amarelada (3 mil kelvins).
Pontualmente, sobre as mesas foram empregadas halógenas AR 111 na mesma temperatura de cor, resultando em composição adequada ao pé-direito. Como o espaço prevê área para shows, dispõe de equipamentos para iluminação cênica.
Com parte do piso em vidro, deixando ver as piscinas do subsolo, o átrio do prédio maior é um dos espaços mais interessantes de todo o conjunto.
Durante o dia, é valorizado por intensa luminosidade natural que incide através de grandes planos de vidro. À noite, ele recebe iluminação indireta por meio de luminárias que, presas em estrutura metálica, jogam a luz para a cobertura, iluminando o térreo de forma difusa, por reflexão.
O piso de vidro deixa vazar luz para o pavimento inferior, criando um atrativo a mais para a parte coberta do conjunto aquático. Nesse piso, fluorescentes tubulares embutidas em sancas e lâmpadas de vapor metálico pontuam o forro.
A piscina maior é contornada por esses pontos de luz de vapor metálico e a paginação garante que todas as lâmpadas possam ser trocadas pelo lado de fora do tanque.
Já na área externa, o pátio da piscina recebe iluminação por meio de postes altos equipados com lâmpadas de vapor metálico de 250 watts e 3 mil kelvins, conjunto que também atende o setor das quadras descobertas.
Postes menores, com rebatedores de luz e a mesma lâmpada, respondem pela iluminação do solário e da grande praça que marca a área externa do Sesc Belenzinho.
A marquise cobre a interligação entre os prédios e embute fluorescentes compactas em paginação regular ao longo de toda a sua extensão.
No teatro, a iluminação do ambiente emprega lâmpadas halógenas dimerizáveis em luminárias instaladas exclusivamente nas laterais a fim de facilitar a manutenção e dispensar os andaimes na área sobre os assentos. Os demais componentes luminotécnicos pertencem ao sistema de iluminação cênica.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 379 Setembro de 2011

Os arquitetos Gilberto Franco (FAU/USP, 1981) e Carlos Fortes (FAU/UFRJ, 1986) são sócios no escritório Franco+Fortes Lighting Design, que constituíram em 1997. Em 2007, a dupla recebeu Award of Merit na 24ª Premiação do Iald, pelo projeto luminotécnico do Museu da Língua Portuguesa
vapor metálico


