Studio Ix
Luminotécnica de galeria de arte, São Paulo
- Detalhes
- 06 de Julho de 2012.
O galpão no bairro do Itaim Bibi, zona sul de São Paulo, abrigou por muitos anos uma confecção, que hoje ocupa somente o nível térreo. O primeiro pavimento e o mezanino, que antes serviam como oficinas e escritórios, foram transformados em uma nova unidade da Galeria Marília Razuk, voltada à arte contemporânea.
A adaptação dos espaços ficou a cargo do escritório de Roberto Loeb, que, entre as intervenções arquitetônicas, criou um acesso exclusivo à galeria, com trecho inicial em rampa e continuação em escada. Sobre essa área, uma cobertura de vidro garante boas condições de luz natural ao salão principal, onde também foi instalada uma janela de vidro basculante, como porta de garagem, com motor elétrico, que permite integrar interior e exterior.
A estrutura metálica viabilizou a abertura do antigo depósito, agora unificado com o salão. Marcando esse ponto, a estrutura aparente da cobertura foi ocultada por forro de gesso, enquanto no restante a laje de concreto à vista foi mantida.
Para desenvolver a proposta luminotécnica, Guinter Parschalk seguiu duas referências básicas. A primeira era a ambientação neutra, composta por paredes brancas e piso em tábuas de pinho certificadas de tom claro e fosco, especificadas pelos arquitetos.
“É uma boa composição porque não distorce as cores dos trabalhos expostos e favorece a reflexão da luz, ajudando a economizar energia elétrica”, explica o lighting designer.
A segunda estava na variedade de obras que a galeria pode receber, incluindo telas, instalações e apresentações multimídia. “A ideia era ter o sistema de iluminação o mais flexível possível, que atendesse à maioria das mostras”, ele completa.
Na grande área com laje de concreto aparente, onde o pé-direito chega a seis metros, Parschalk utilizou trilho trifásico, com três circuitos independentes além do de retorno, o que possibilita acender as fileiras isoladamente ou em diferentes combinações.
Duas das fases são equipadas com projetores direcionáveis, próprios para lâmpadas de vapor metálico, que emitem luz de forte intensidade e chapada.
Usando lâmpadas de foco aberto de 70 watts, um dos circuitos proporciona iluminação geral variável, abrangendo o claro bem homogêneo, sem sombras, alternativas de menor uniformidade e opção para mais ou menos contrastes.
O destaque é dado por lâmpadas do mesmo tipo, mas de foco fechado e com potência de 35 watts. No terceiro circuito foram empregadas halógenas dimerizadas, o que aumenta as possibilidades de mudança de arranjos.
As três variedades de lâmpadas apresentam temperatura de cor de 3 mil kelvins, de tonalidade amarelada. “Esse conjunto oferece uma iluminação bastante flexível, desde a luz chapada até a para contrastes, adequada à maioria das mostras”, detalha Parschalk.
Destinada à exposição de objetos menores ou mostras mais intimistas, a área com forro em gesso tem solução luminotécnica com sancas em U dotadas de fluorescentes T5 de 3 mil kelvins combinadas a projetores para halógenas dimerizadas.
Esse jogo de lâmpadas possui comandos independentes para cada lateral da sanca e permite criar cenários e dar destaque a peças específicas. É possível deixar uma parte clara e outra escura, o que é ideal para a apresentação de vídeos.
“Trata-se de uma solução simples, barata e eficiente, com variada gama de luz e diferentes desenhos e intensidades”, finaliza Parschalk.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 386 Abril de 2012
Guinter Parschalk formou-se em arquitetura em 1978 pela Universidade Brás Cubas e concluiu pós-graduação em desenho industrial na Hochschule für Künstlerische und Industrielle Gestaltung, em Linz, Áustria. Atuou como designer na Siemens e na Schlagheck & Schultes Design, em Munique, Alemanha. Atualmente, dirige o Studio Ix, escritório especializado em percepção visual e luminotécnica

