Luz Urbana

Luminotécnica de ponte, São Paulo

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O projeto luminotécnico busca contribuir para a leitura da ponte Octavio Frias de Oliveira
Contraponto foi a estratégia usada para realçar a arquitetura
O projeto de luminotécnica elaborado pelo estúdio Luz Urbana para a ponte Octavio Frias de Oliveira - localizada na zona sul de São Paulo e mais conhecida entre os paulistanos como Ponte Estaiada - procura estabelecer um contraponto em relação à arquitetura da obra, explica o lighting designer Plínio Godoy, autor da proposta. Na torre, elemento escultórico onde estão fixados os estais, o efeito das cores que se multiplicam vem de leds.

Inaugurada em maio de 2008, a ponte que conecta as marginais do Pinheiros à avenida Jornalista Roberto Marinho (esta perpendicular ao trajeto do rio) ganhou rapidamente o status de ícone, devido ao seu desenho de natureza escultórica e à altura do apoio principal, que alcança quase 140 metros. Coube ao escritório Luz Urbana iluminar a imensa obra viária, projetada por João Valente Filho (arquitetura) e Catão Francisco Ribeiro (estrutura).

O projeto luminotécnico procura valorizar as potencialidades da ponte e contribuir para a boa leitura da obra, afirma o lighting designer Plínio Godoy, diretor do Luz Urbana. “Nossa missão é valorizar a arquitetura, e não transformá-la em pano de fundo para um show pirotécnico”, observa. Entre as vertentes que, de acordo com Godoy, a iluminação pode utilizar para trabalhar junto com a arquitetura, ele escolheu a do contraponto.

Assim, durante o dia a imagem da ponte é favorecida para quem vem da avenida Roberto Marinho; à noite, a visualização de caráter cenográfico transfere-se para aqueles que transitam pelas marginais. Sob a luz natural, diurna, destacam-se os estais amarelos, em contraste com o cinza do asfalto e, às vezes, com o céu da cidade. À noite, o projeto luminotécnico inverte a situação, valorizando mais a torre onde os estais estão fixados. “Utilizamos luz branca na torre e cores no detalhamento das superfícies internas do mastro”, revela Godoy.

Segundo ele, o sistema de iluminação da torre tem como base a tecnologia led e é de alta eficiência energética: o consumo individual dos projetores - são 142 equipamentos, cada um com 36 leds - é de 50 watts, menos que uma lâmpada convencional. “Para dar cor à ponte gasta-se o equivalente ao consumo de um chuveiro elétrico”, compara. Na parte mais elevada da torre foram utilizados projetores de foco fechado, enquanto no túnel sob ela foram instalados os de foco aberto.

A iluminação transforma a percepção que se tem da ponte e contribui para reforçar seu caráter de símbolo urbano
Vista do mastro escultórico, onde estão fixados os estais
Algumas possibilidades de cor que a iluminação propicia à ponte estaiada

Para obter o efeito cenográfico pretendido, foram instalados 20 projetores em seis postes - dois laterais à torre numa das margens do rio, dois na avenida Chucri Zaidan e os demais na margem oposta do Pinheiros, próximo das alças de acesso da ponte. “Eles iluminam a torre e, secundariamente, os estais”, informa o lighting designer. Esses projetores, providos de lâmpadas de mil watts, proporcionam, em relação aos equipamentos tradicionais, economia de cerca de 1/3 no consumo de energia. Neles foram instalados colimadores metálicos, que camuflam a fonte de luz para que não se perceba o brilho dos projetores. “Isso é fundamental para trazer maior contraste e valorizar o projeto”, completa Godoy.

A iluminação da ponte em si, de modo a torná-la segura ao tráfego de veículos, empregou uma nova família de lâmpadas de alta eficiência, baixo custo operacional e elevada vida útil, fixadas no topo de postes com seis metros de altura. Sua luz, branca, assemelha-se à das lâmpadas incandescentes e, na avaliação de Godoy, o olho humano responde melhor a ela que às lâmpadas de sódio adotadas atualmente na iluminação urbana. As lâmpadas têm 140 watts e, segundo o projetista, foi a primeira vez que se utilizou essa tecnologia no país.



Texto de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 351 Maio de 2009


O lighting designer Plínio Godoy, formado em engenharia pelo Instituto Mauá de Tecnologia (1987), constituiu em 2003 o escritório Luz Urbana, que projeta e executa obras luminotécnicas
Os estais têm a extremidade superior fixada nas “pernas” do H do mastro
Na parte mais elevada da ponte estão os projetores de foco fechado
Conjunto de projetores equipados com leds e instalados numa das barras da estrutura em H
Para dar cor à ponte, o consumo de energia é igual ao de um chuveiro elétrico, afirma Plínio Godoy
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