Maneco Quinderé
Luminotécnica de restaurante, Rio de Janeiro
- Detalhes
- 06 de Maio de 2011. Visitas: 11.809
O conceito de pureza nobre inspirou formalmente a escolha de materiais naturais com matriz cromática semelhante - o marrom do ladrilho e da madeira - e, no que diz respeito à luminotécnica, a explicitação das lâmpadas e do cobre como unidades elementares do projeto.
“Voltamos a Thomas Edison”, observa Maneco Quinderé, ao se referir às luminárias especiais que criou para o restaurante Oro.
No pavimento térreo há o pendente feito com folha de cobre e lâmpada incandescente de 300 watts, revestida desde a base até a porção do corpo que acondiciona o filamento elétrico. O cobre alude à liga metálica que dá nome ao restaurante e, ao mesmo tempo, define a aparência artesanal da peça criada pelo iluminador carioca.
é complementada pela luz indireta geral, proveniente das
paredes e forros
Com ela, a ambiência tende intencionalmente à baixa luminosidade, para o que colaboram a dimerização e o artifício de ligar lâmpadas de 220 volts em circuito de 110 volts. Trata-se do efeito luz de velas preconizado pelo projeto e pontuado com certa liberdade sobre as mesas de madeira.
Originário do teatro, Quinderé acredita que os restaurantes e as residências oferecem ao lighting designer maior liberdade técnica e formal, o que de certa forma explica a identidade artesanal, customizada, de seus projetos na área - característica que ele atribui à carência de indústrias de elevada tecnologia no Brasil e que recebeu elogios do veterano iluminador Peter Gasper em entrevista concedida a PROJETO DESIGN (edição 351, maio de 2009).
Portanto, faz parte de seu cotidiano a investigação contínua de materiais como a delicada tela de cobre originalmente utilizada na área médica e empregada nas luminárias circulares do segundo andar do restaurante.
Elas são como as peneiras que se usam na garimpagem do ouro - outra referência simbólica do projeto - e servem de suporte à disposição orgânica de lâmpadas incandescentes, do tipo vela, sobre a densa malha metálica.
As peças especiais que dão identidade ao projeto têm como retaguarda a iluminação geral indireta proveniente de paredes e tetos (sancas invertidas que utilizam fluorescentes tubulares) e a visualidade pop das vitrines da cozinha e do bar.
Na primeira, a aparência colorida da luz decorre da aplicação sobre o vidro transparente da gelatina em tonalidade rosa, acessório habitualmente utilizado na luminotécnica teatral; na segunda, a luz amarela homogênea tem origem no requadramento do balcão envidraçado com fita de led.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 373 Março de 2011
O lighting designer Maneco Quinderé é iluminador de espetáculos de teatro, dança e música. Recebeu importantes prêmios nacionais, como o Shell, Sharp e Molière
foi o mote dos projetos arquitetônico
e luminotécnico


