Premiação anual da Iald
Projetos laureados têm escala urbana
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- 25 de Agosto de 2010. Visitas: 11.728
O edifício parece se transformar de acordo com o calendário lunar por meio da coloração da luz incidente, até se tornar uma enorme e homogênea massa branca no período de Lua cheia. Nesse processo, são sete as nuances de cor manipuladas a cada dois dias em um processo vagaroso de transição. Isso demandou uma série de projetores e acessórios especiais para o preciso enquadramento da luz na mesquita, sem que houvesse a interferência de reflexos ou vazamentos de raios no espaço envoltório.
Já a referência a Meca é realizada por meio da projeção de imagens de nuvens em movimento sobre a mesquita, direcionadas como se proviessem da cidade sagrada. A sincronia dos equipamentos, o percurso da imagem através dos elementos arquitetônicos e o seu encadeamento a referências de posicionamento geográfico via satélite constituíram o principal desafio do projeto, demandando até mesmo a criação de um software especial para o comando integrado dos 1,2 mil projetores.
Embora no caso da mesquita esteja circunscrito a um contexto cultural e religioso específico, esse viés simbólico da luz, aplicado à grande escala da cidade, esteve presente em vários dos trabalhos premiados este ano pela Iald. É o que se verifica, por exemplo, no projeto britânico em que a iluminação de uma ponte de pedestres esteve a serviço da indução da exploração do além-rio pela população e pelos investidores; na revitalização do waterfront de uma cidade na Suécia, em que a luz presta homenagem ao passado industrial através da transformação de um antigo guindaste numa estrutura espetacular; nas pontes dinamarquesas sobre rodovia de alto tráfego, que receberam iluminação “revigorante”, como elogiaram os jurados; na instituição financeira norte-americana cuja edificação é articulada por um volume de vidro com leds.
No que se refere à economia de recursos, o bom aproveitamento da luz natural, associado à iluminação que sinaliza apenas setores e fluxos da arquitetura, foi o mote do projeto premiado com a distinção de design sustentável. Trata-se da luminotécnica do Museu da Nova Acrópole (arquitetura de Bernard Tschumi e Michael Photiadis Associates), em Atenas, assinada pela equipe de Arup Lighting.
Em sua 27ª edição, a premiação criada em 1983 contou com cerca de 200 concorrentes. Foram sete os integrantes do júri, cinco deles pertencentes à associação, além de um arquiteto e um especialista em sustentabilidade. A classificação dos projetos depende da pontuação concedida individualmente pelos jurados a uma série de itens preestabelecidos pelo edital. O trabalho com maior pontuação é laureado com o prêmio máximo, denominado Radiance Award.
Além dele, há as premiações Excellence e Merit, bem como a eventual concessão de menções honrosas. Desse modo, a quantidade de obras distinguidas varia anualmente, dependendo do desempenho dos projetos em relação ao sistema de pontuação do júri. Em 2010, foram 23 os premiados. A relação completa e imagens dos vencedores podem ser obtidas no site www.iald.org.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 365 Julho de 2010
Hansen & Henneberg
RDG Planning & Design
Randy Burkett Lighting Design
Arc Light Design


