Senzi Consultoria Luminotécnica
Hospital, São Paulo
- Detalhes
- 21 de Novembro de 2011. Visitas: 6.085
Instalado em um edifício construído especialmente para sua finalidade, o Hospital Vitória foi inaugurado no final de 2010. Internamente, ele combina ambientações inspiradas em hotéis cinco estrelas e um projeto luminotécnico que valoriza o conforto e o bem-estar do paciente, bem como as necessidades dos profissionais de saúde.
“A linguagem é a da hotelaria, mas com toda a funcionalidade necessária a um hospital”, destaca Neide Senzi, responsável pela proposta de lighting design.
Além da preocupação em prever instalações de menor consumo, um dos pontos centrais do projeto estava na facilidade de operação e manutenção, o que levou a profissional a limitar a variedade de lâmpadas a serem usadas.
Com a medida, evita-se a necessidade de ter grande diversidade de itens em estoque ou possíveis enganos na hora da troca.
Foram empregadas basicamente lâmpadas de temperatura de cor mais baixa - fluorescentes T5 de 28 watts e 3 mil kelvins e fluorescentes compactas de 26 watts e 2,8 mil kelvins, salvo exceções pontuais.
Outro aspecto determinante foi a prévia compatibilização dos projetos de instalações, de modo que em todas as áreas de circulação os sistemas de iluminação, ar condicionado, rede de sprinklers e som corram juntamente por dentro de um perfil metálico que sustenta todos esses módulos ao longo do forro, deixando o restante do plenum (espaço entre a laje e o forro) livre para as tubulações de água, oxigênio e outros gases de uso hospitalar. “Conseguimos organizar o caos. As instalações estão agregadas e não há conflito entre elas”, comemora Neide.
Em termos de conforto, o principal elemento é a luminária de dois módulos instalada acima de todos os leitos, que apresenta refletor assimétrico capaz de criar duplo cenário.
O primeiro direciona a luz para a parede atrás da cama, promovendo iluminação difusa e confortável a fim de proteger o paciente contra o ofuscamento.
O segundo tem luz voltada para o próprio leito e é usado somente durante procedimentos médicos ou de enfermagem.
No setor de emergências, a mesma luminária reaparece, mas com um terceiro módulo para downlight, que assegura os mil lux exigidos nos leitos, conforme as normas para esse setor dos hospitais.
“A peça é importada da Espanha. No Brasil não existe uma opção de conjunto ótico com refletor assimétrico tecnicamente bem desenvolvida”, avalia Neide.
Distribuído por dois subsolos, térreo e mais dez pavimentos, o hospital apresenta átrio central de pé-direito sêxtuplo, para onde se voltam as circulações dos andares.
Todo o contorno das lajes é marcado por uma linha de luz na altura do rodapé, dando continuidade aos frisos que delimitam a caixa de circulação vertical.
A luz ainda vaza para o lado e funciona como balizamento do percurso. A laje do jardim que leva iluminação natural à recepção da internação, no sétimo pavimento, fecha esse vão, mas deixa passar a luz zenital para o átrio.
Logo na entrada - a área de pé-direito duplo sob a circulação do primeiro andar -, pendentes de grandes dimensões suavizam a imponência do ambiente, dando-lhe escala humana.
Os pontos de atendimento ao público e centrais de enfermagem localizados nos diversos andares são facilmente identificados por faixas transversais, semelhantes a pergolados de luz.
Elas utilizam fluorescentes tubulares T5 de 28 watts e 3 mil kelvins instaladas em luminárias com difusor acrílico curvo. Na sala de cirurgia, uma falsa claraboia com fluorescentes tubulares de 4 mil kelvins produz a sensação de luz natural.
Em seu contorno, luminárias herméticas geram luz periférica para dar equilíbrio de luminância ao ambiente, evitando o contraste entre o plano de trabalho e o entorno.
“O cirurgião usa equipamentos especiais de grande potência para iluminar a área da intervenção cirúrgica e não pode haver um contraste muito forte com o espaço ao redor porque isso causa fadiga visual, é bastante agressivo para o médico”, explica Neide.
Nos laboratórios também foram utilizadas luminárias herméticas a fim de evitar, segundo a arquiteta, a entrada de pó e o acúmulo de bactérias.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 379 Setembro de 2011
Neide Senzi é arquiteta especializada em luminotécnica, área em que atua desde 1994. Participou do curso Architectural Lighting, na Penn State University, nos EUA. É membro da Professional Lighting Designer Association, da Illumination Engineering Society of North America e da Associação Brasileira de Arquitetos de Iluminação (Asbai)


