146 mat.
usuários online
 







Luz e carpas
O arquiteto e designer Francisco de Almeida é o responsável pelo projeto de luminotécnica do edifício Brigadeiro II. Situado na zona sul de São Paulo, o prédio, que atualmente abriga a sede da agência de publicidade DM9DDB ( leia PROJETO DESIGN 279 , maio de 2003), foi construído para ser comercializado. Isso não impediu que Almeida criasse um elemento forte e autoral.

O destaque é a solução dada para o átrio , que também é um dos pontos altos do projeto de arquitetura, desenvolvido por Sérgio Assumpção . Francisco de Almeida ocupou o pé-direito de 25 metros de altura, que se estende pelos sete pisos do prédio, com uma grande luminária criada a partir de peça existente, desenhada e comercializada pelo arquiteto-designer.

O grande lustre é composto por nove unidades da linha Peixe, feita com papel arroz e aço . Os pendentes de cada peça, que trocam de posição, estão presos em um aro metálico. Cada luminária possui quatro lâmpadas fluorescentes de 16 watts.

Almeida multiplicou os peixes, criando um pequeno cardume luminoso que preencheu o espaço de vidro como se fosse um aquário. Com o edifício finalizado mas ainda não ocupado, o arquiteto realizou testes com a aplicação de gelatina nas lâmpadas, uma espécie de filtro com diversas cores, aumentando o efeito plástico. Coloridas, as luminárias ficaram parecendo um grupo de carpas ou um grande móbile luminoso . Sem saber que tipo de empresa ocuparia a edificação, o proprietário preferiu deixar a peça neutra, sem cor.

O pé-direito incomum levou os profissionais a se preocupar com a manutenção da luminária: para a troca de lâmpadas e eventual colocação de gelatinas, foi desenvolvida uma haste especial que, como uma vara de pescar, recolhe as peças a partir dos balcões dos diversos andares.

No andar-tipo , foram especificadas para a porção central luminárias embutidas no forro de gesso, com quatro lâmpadas fluorescentes tubulares de 16 watts. Nas duas extremidades utilizou-se luminária diferente, também embutida no forro, porém com apenas duas lâmpadas fluorescentes de 32 watts.

No hall de elevadores e na periferia do espaço interno, junto ao caixilho, foram instaladas luminárias embutidas no forro, com lâmpadas fluorescentes compactas de 26 watts. Nas peças que circundam os caixilhos, foram realizados estudos de cores com aplicação de gelatina, que, assim como no átrio, não foi adotada.

Para iluminação externa , Almeida especificou caixas blindadas instaladas no piso, com lâmpada PAR de 38 watts. As mesmas luminárias foram utilizadas também para iluminar a marquise de acesso.


Texto resumido a partir de reportagem
de Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETO DESIGN
Edição 280 Junho de 2003





A marquise é iluminada pela reflexão
de luminária instalada no piso
Resultado final:
luminárias sem
aplicação de gelatina
Teste com aplicação de
gelatina na cor vermelha
Com gelatinas de diversas cores -
opção preterida pelo proprietário do edifício -
as luminárias lembram cardume de carpas
Direitos de reprodução reservados à ARCO Editorial Ltda.
Atualizado em: 19/03/2010