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Além dos pilares existentes, outros foram criados para equilibrar o ritmo do espaço. Todos são revestidos com painéis de acrílico. A iluminação é feita por projetores de leds vermelhos/ verdes/azuis. Âmbar, azul profundo e alguns tons de branco, prata e azulado criam os cenários
Luzes recriam em interior o céu das noites cariocas
O Bar do Copa, um dos mais recentes espaços incorporados ao Copacabana Palace - ícone carioca projetado pelo arquiteto francês Joseph Gire e inaugurado na década de 1920 -, teve sua concepção luminotécnica desenvolvida pelo LD Studio, que já havia realizado intervenções em outros ambientes do hotel. O bar funciona apenas à noite e tenta recriar, por meio da iluminação, o idílico céu noturno da capital fluminense.

Inaugurado no primeiro semestre de 2009, o Bar do Copa é uma criação conceitual da empresa sul-africana Graham Viney Design, convertida em arquitetura por Henrique Mindlin Associados, que vem desenvolvendo as atuais intervenções no interior do hotel. O LD Studio tem assinado os projetos luminotécnicos dessas recentes transformações. “Atuando juntamente com o escritório Henrique Mindlin, elaboramos os detalhes para resolver a iluminação, interpretando e viabilizando o conceito”, relata Mônica Lobo, arquiteta e lighting designer, titular do LD. Ela acrescenta que nesse trabalho foi possível coordenar e compatibilizar de forma eficiente as diversas disciplinas em jogo - chegou-se até a desenvolver protótipos para ensaiar os diversos itens do projeto, exemplifica Mônica.

A proposta era criar um espaço único e sofisticado, adjetivos que, na avaliação da arquiteta, são comumente associados ao Copacabana Palace. Para Mônica, além de estimulante do ponto de vista profissional, o trabalho foi também divertido. “Os recursos utilizados são os mais diferenciados e tecnologicamente avançados, e foi uma diversão tomar contato com esses instrumentos e vê-los consolidados num espaço real e lúdico”, ela detalha. O desafio consistiu, sobretudo, em ajustar a parafernália tecnológica num espaço não muito grande - são 230 metros quadrados - para receber, no máximo, 200 pessoas.

Revestimento com um azul de tom profundo (a cor é denominada midnight blue, azul da meia-noite) foi aplicado no teto e nas paredes do Bar do Copa, e ao longo destas foram instaladas fibras óticas. Na verdade, o conceito de design já incorporava elementos de iluminação, entre os quais as fibras óticas nas paredes e teto; os pilares revestidos com painéis de acrílico com a luz vinda de trás; os plafonds centrais com cristais; os lustres sobre o balcão do bar; a iluminação do tampo e a luz na frente do fechamento vertical do balcão.

Conceito
A luz na superfície interna da coluna e a luz absorvida pelo painel de acrílico resultam na visualização de uma caixa luminosa
Há homogeneidade na distribuição da iluminação nos pilares, que têm três metros de altura. A luz na superfície interna da coluna e a luz absorvida pelo painel de acrílico resultam na visualização de uma caixa luminosa
A iluminação da gaiola de ferro forjado com luz direta não uniforme e o backlight na porta de entrada enfatizam o desenho dos elementos metálicos
Suportes de acrílico transparente colocados ao longo do tampo evitam sombras no encontro deste com a caixa
O balcão do bar tem tampo de ônix e é iluminado por trás com fluorescentes T2 de 13 watts. Suportes de acrílico transparente colocados ao longo do tampo evitam sombras no encontro deste com a caixa
“Nossa intervenção tratou de equilibrar os elementos de modo que a soma não anulasse a individualidade e prevalecesse a atmosfera de bar”, explica Mônica. “Acrescentamos, ainda, a iluminação rasante nas cortinas de contas douradas, mesma solução empregada nas peças que emolduram as portas que se abrem para a piscina”, complementa. A iluminação direta, não uniforme, foi empregada na gaiola de ferro forjado existente no espaço - nessa peça, o backlight da porta enfatiza o desenho do elemento metálico. Para conseguir esse equilíbrio foi imprescindível adotar um sistema de controle regulador da intensidade em cada uma das zonas de iluminação, tais como pilar, plafonds, bar, garrafas etc. “Os protótipos também nos deram a segurança de que a soma das partes resultaria num conjunto harmonioso”, conclui Mônica.


Texto de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 361 Março de 2010


Mônica Lobo Criado há mais de uma década pela arquiteta Mônica Lobo (Universidade Santa Úrsula, 1987), o escritório LD Studio, no qual Caroline Reis (UFRJ, 2007) atua desde 2006, é especializado em projetos luminotécnicos
A distribuição é aleatória e o teto tem mais brilho que a parede
A proposta de recriar no teto e nas paredes o céu noturno do Rio de Janeiro utiliza fibra ótica alimentada por lâmpada halógena dicroica. A distribuição é aleatória e o teto tem mais brilho que a parede
Para a autora, o trabalho de iluminação combinou diversão e desafio, ao aplicar avançada parafernália tecnológica num ambiente lúdico
Para a autora, o trabalho de iluminação combinou diversão e desafio, ao aplicar avançada parafernália tecnológica num ambiente lúdico
Referência em arquitetura
Direitos de reprodução reservados à ARCO Editorial Ltda.
Atualizado em: 02/09/2010