Ampliação do Hospital Sírio-Libanês

Incorporação de três novas construções junto ao conjunto existente

Hospital Sírio-Libanês construirá torres junto a conjunto existente
Em novembro passado, técnicos do Centro de Metrologia de Fluidos, laboratório onde se encontra o túnel de vento do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), realizaram ensaios simuladores dos esforços a que serão submetidas a estrutura e as esquadrias da primeira de três torres que o Hospital Sírio-Libanês pretende construir junto a sua sede, na região da avenida Paulista, em São Paulo.
O procedimento faz parte da série de análises preventivas a que foi submetido o projeto de ampliação do complexo hospitalar, cujas obras devem ter início nos próximos meses. A implantação seguirá projeto elaborado por L+M Gets Gestão de Espaços e Tecnologias em Saúde, que é também responsável pela revisão do plano diretor da instituição. O escritório determinou que o crescimento fosse realizado com a incorporação de três novas construções junto ao conjunto existente.

Criado em 1921, o Sírio-Libanês teve suas instalações erguidas uma década mais tarde - o primeiro prédio foi inaugurado em 1940, mas três anos depois mudou de função ao ser tomado pela Escola Preparatória de Cadetes, que o ocuparia por mais de 20 anos. A edificação só voltaria a ter o uso para o qual fora concebida (e sob o controle da sociedade que a constituiu) em 1965, tendo posteriormente se tornado referência na área médica.

“A intenção da atual ampliação é compatibilizar espaços e tecnologias com a visão que o Sírio-Libanês tem do segmento da saúde”, informa o arquiteto Lauro Miquelim, do escritório L+M Gets. As obras começarão pela torre de maior dimensão, que será edificada sobre uma das garagens do hospital e concentrará os serviços de alta complexidade, que envolvem, entre outros, os setores de terapia intensiva.

O partido adotado é uma espécie de implante arquitetônico. Isso porque a garagem que servirá de embasamento à torre é parte do que teria sido a ampliação do hospital se tivesse vingado a operação idealizada pelo arquiteto Emílio Guedes Pinto. Na PROJETO DESIGN 240, de fevereiro de 2000, a seção Prancheta publicou a intervenção então proposta, informando também que Guedes Pinto desenvolvera, em 1981, o plano diretor para o complexo hospitalar. Com as três novas edificações, relatava a reportagem, a capacidade de crescimento do conjunto se esgotaria.

Além das complexidades do projeto em si, um dos desafios da atual intervenção do L+M Gets é realizá-la com o menor impacto possível para a rotina da instituição e da cidade, avalia Miquelim. “Respeitamos os recursos do planeta, evitamos o sol do lado errado e fizemos bom uso da iluminação natural”, detalha o arquiteto. Ele afasta, no entanto, o rótulo de arquitetura sustentável. “É arquitetura adequada às necessidades”, simplifica.


Texto de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 361 Março de 2010
A primeira torre será construída sobre garagem que era parte do projeto de Guedes Pinto
E difícios propostos pelo escritório L+M Gets. A primeira torre será construída sobre garagem que era parte do projeto de Guedes Pinto
Projeto de ampliação do arquiteto Emílio Guedes Pinto
Projeto de ampliação do arquiteto Emílio Guedes Pinto, desenvolvido no final do século passado e publicado pela revista em fevereiro de 2000