Naassom Ferreira Rosa

Livraria Saraiva repaginada

Megalivraria repaginada
A megalivraria repaginada incorpora mudanças do varejo. A arquitetura ajuda a fidelizar clientes em tempos de concorrência acirrada
Repaginada, livraria Saraiva espelha mudanças do varejo
Durante meses, o público que foi à livraria Saraiva do Shopping Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, encontrou um espaço em mutação. Dia após dia, tapumes se deslocavam nos interiores da loja para que fosse implantado - com a livraria em operação - o novo padrão arquitetônico das megastores da rede. Em novembro de 2008, após cerca de 70 dias de obras, os anteparos foram definitivamente removidos do local.
Os frequentadores puderam então avaliar se os resultados da proposta elaborada pelo escritório KN Arquitetura atendem aos atuais interesses de consumo. Ao reconfigurar o espaço, a Saraiva - para quem o KN trabalha desde 1986 - procurou incorporar a suas unidades as alterações ocorridas no varejo nos últimos anos, devido à mudança no enfoque com o qual a rede se qualifica atualmente: entretenimento, cultura e conveniência.

O arquiteto Naassom Ferreira Rosa, autor do projeto e sócio do escritório KN, conta que as alterações na rede livreira começaram a ser implementadas em 2008, pelas unidades de Salvador e Recife. Mas é na do Shopping Ibirapuera que elas foram aprofundadas. “Não se trata de mudar apenas a estética, mas de incorporar novos conceitos. O cliente quer ter mais opções para interagir no espaço”, comenta. Com as modificações, as megaunidades da Saraiva ampliaram o setor de produtos para informática, por exemplo.

Há quase 12 anos, quando o slogan da Saraiva era “Livros, música e café”, a unidade do Shopping Ibirapuera, igualmente projetada pelos arquitetos do KN, esteve nas páginas de PROJETO DESIGN (edição 210, julho de 1997). “As megastores da Saraiva não são apenas livrarias e papelarias, como as demais lojas da rede”, informava a reportagem. “A concepção geral do projeto pretende estabelecer um novo padrão para a arquitetura de interiores, mobiliário e comunicação visual.”

As mesmas frases poderiam ser empregadas para caracterizar a repaginação idealizada mais de uma década depois, no mesmo lugar e pelos mesmos arquitetos. Entre outras modificações, o piso (que na versão antiga claramente sugeria um percurso) tornou-se mais livre, as crianças ganharam um ambiente específico (Saraiva Kids), o mobiliário em tons claros foi substituído (encerrou-se o ciclo do pau-marfim) e o café foi definitivamente incorporado ao arranjo espacial - neste caso, com a grife Starbucks.

A concorrência cada vez mais acirrada faz com que as redes de livrarias disputem a fidelidade dos clientes. E o projeto arquitetônico, notaram elas, contribui nesse sentido. Fidelidade que, para sorte dos arquitetos - mas certamente também por sua competência -, a Saraiva mantém com o KN, mesmo nestes tempos de crise.


Texto de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 351 Maio de 2009
Acesso à livraria Saraiva do Shopping Ibirapuera em 1997
Acesso à livraria Saraiva do Shopping Ibirapuera em 1997: o piso demarca claramente um percurso