Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas
A fim de adequar a tradicional feira nordestina, prefeitura carioca retoma obra no Pavilhão São Cristóvão conforme projeto cenográfico controverso
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- 16 de Maio de 2011. Visitas: 5.518
A prefeitura informou que investirá nas obras 11,6 milhões de reais. Entre as intervenções, estão previstas melhorias na infraestrutura, a cobertura das ruas internas por lonas e a construção de um anfiteatro junto à praça dos Repentistas. A fachada do pavilhão também vai mudar: será recoberta por um painel de lona com desenhos inspirados nas rendas do Nordeste.
O cenógrafo João Cardoso, da TV Globo - que é parceira do município na revitalização do espaço -, informou ter buscado para o projeto ícones fortes da região, “algo que também tivesse relação com o Rio de Janeiro e com a importância do Centro de Tradições Nordestinas para a cidade”. Essa é uma das razões para que a cobertura dos palcos lembre a forma de um chapéu de boiadeiro.
Antes de tornar-se o espaço dos nordestinos no Rio, o equipamento era conhecido como Pavilhão São Cristóvão, empreendimento privado construído no final dos anos 1950, a partir de projeto do arquiteto Sérgio Bernardes. Anteriormente à inauguração do Riocentro, na década de 1970, era ali que se realizavam as grandes exposições na capital fluminense. Quando o palco desse tipo de evento se deslocou para a Barra da Tijuca, o pavilhão entrou em declínio e fechou.
Até que, em 2003, o prefeito César Maia resolveu transferir para lá a feira nordestina que ocorria nas ruas próximas. Inicialmente, porém, cogitou-se implantar ali um empreendimento com centro de convenções, hotel, estacionamento e shopping center. Notícia sobre o tema, com o título “Sérgio Bernardes revisitado”, foi publicada por PROJETO DESIGN na edição 243, de maio de 2000. “As obras não deverão interferir na linha arquitetônica da edificação”, informava o texto, acrescentando que elas seriam realizadas com a supervisão do próprio Bernardes. A proposta não foi adiante.
Para acolher o Centro Luiz Gonzaga, o Pavilhão São Cristóvão foi reformulado tomando como base projeto do escritório Archi 5, do Rio de Janeiro. “Misto de restauro do modernismo e arquitetura social - tivemos que realizar assembleias com mais de 400 barraqueiros nordestinos -, o projeto nos dá muito orgulho”, diz o arquiteto Bruno Fernandes, sócio do estúdio. Ele observa, no entanto, que a intervenção recebeu contribuições que considera espúrias. “E que nos irritaram muito, como, por exemplo, o chapéu de vaqueiro nordestino e o chapéu de cangaceiro nos palcos”, exemplifica. “Tomara que tirem”, torce. Pelo andamento do boi-bumbá, o arquiteto vai ter motivo para novamente se agastar.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 373 Março de 2011


