Álvaro Vital Brazil e Adhemar Marinho
Edifício Esther, São Paulo
- Detalhes
- 13 de Abril de 2009. Visitas: 17.040
O Esther (ao fundo), em outubro de 2008. Efetiva intervenção pública no conjunto pode demorar anos
Esther perdeu glamour e charme, mas pode ganhar Educação
Caso se concretize a intenção da prefeitura paulistana de desapropriar o edifício Esther para instalar no histórico prédio a Secretaria da Educação, as autoridades educacionais do município e do estado ficarão bem próximas - se não em termos políticos, o que depende do governo de plantão, ao menos fisicamente, já que o Esther está a cerca de 50 metros do Caetano de Campos, onde fica a secretaria estadual.
Projetado pelos arquitetos Álvaro Vital Brazil e Adhemar Marinho, o Esther é um ícone da arquitetura paulista e um dos primeiros prédios da cidade erguidos a partir de preceitos modernistas. Hoje, como um velho senhor que exibe no rosto as rugas e a experiência, ele ostenta as marcas do tempo: superfícies enegrecidas, tijolos à mostra e janelas que parecem desafiar a lei da gravidade.
O prédio localiza-se na praça da República, vizinho ao Caetano de Campos - escola projetada por Ramos de Azevedo que hoje abriga a Secretaria da Educação estadual -, com o qual contrasta em termos de conservação. A expectativa é que, passando ao município, fique à altura de seu significado para a arquitetura. Mas não deve se iludir quem espera que ele recupere o glamour da época de sua inauguração, em 1938, ou a elegância conservada pelo menos até a década de 1960.
Elegância, aliás, ainda presente entre os funcionários do Esther, como o atual zelador, Manoel Ferreira Soares, que, na segunda quinzena de outubro, ainda não tinha conhecimento de que o edifício poderia ser desapropriado. Envergando terno e gravata, Soares não destoaria dos primeiros moradores do prédio, construído por encomenda do usineiro Paulo de Almeida Nogueira e batizado com o nome de sua esposa.
O usineiro e o prédio são citados pelo arquiteto Luiz Carlos Daher no artigo “O edifício Esther e a estética do modernismo”, publicado na edição de julho de 1981 de PROJETO DESIGN. Consta ali a informação de que a usina teve sua sede na edificação e o IAB/SP ocupara parte do subsolo.
A intenção da prefeitura de instalar órgãos públicos nos edifícios Esther e Sampaio Moreira (este, também na região central, receberia a Secretaria da Cultura) foi tema de reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. Nela, o secretário municipal da Cultura, Carlos Augusto Calil, afirmava que a intervenção pública era a única maneira de preservar os edifícios.
A Secretaria de Negócios Jurídicos informa que o processo de desapropriação do Esther está em fase inicial. Técnicos municipais fizeram a primeira avaliação, etapa que será sucedida pelo trabalho de peritos. Em seguida, a prefeitura fará propostas aos proprietários. Se eles não concordarem com os valores oferecidos, a decisão pode ir para a Justiça. Por isso, é impossível dizer quando começará a efetiva intervenção pública.
O prédio localiza-se na praça da República, vizinho ao Caetano de Campos - escola projetada por Ramos de Azevedo que hoje abriga a Secretaria da Educação estadual -, com o qual contrasta em termos de conservação. A expectativa é que, passando ao município, fique à altura de seu significado para a arquitetura. Mas não deve se iludir quem espera que ele recupere o glamour da época de sua inauguração, em 1938, ou a elegância conservada pelo menos até a década de 1960.
Elegância, aliás, ainda presente entre os funcionários do Esther, como o atual zelador, Manoel Ferreira Soares, que, na segunda quinzena de outubro, ainda não tinha conhecimento de que o edifício poderia ser desapropriado. Envergando terno e gravata, Soares não destoaria dos primeiros moradores do prédio, construído por encomenda do usineiro Paulo de Almeida Nogueira e batizado com o nome de sua esposa.
O usineiro e o prédio são citados pelo arquiteto Luiz Carlos Daher no artigo “O edifício Esther e a estética do modernismo”, publicado na edição de julho de 1981 de PROJETO DESIGN. Consta ali a informação de que a usina teve sua sede na edificação e o IAB/SP ocupara parte do subsolo.
A intenção da prefeitura de instalar órgãos públicos nos edifícios Esther e Sampaio Moreira (este, também na região central, receberia a Secretaria da Cultura) foi tema de reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. Nela, o secretário municipal da Cultura, Carlos Augusto Calil, afirmava que a intervenção pública era a única maneira de preservar os edifícios.
A Secretaria de Negócios Jurídicos informa que o processo de desapropriação do Esther está em fase inicial. Técnicos municipais fizeram a primeira avaliação, etapa que será sucedida pelo trabalho de peritos. Em seguida, a prefeitura fará propostas aos proprietários. Se eles não concordarem com os valores oferecidos, a decisão pode ir para a Justiça. Por isso, é impossível dizer quando começará a efetiva intervenção pública.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 346 Dezembro de 2008
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 346 Dezembro de 2008
O edifício Esther em primeiro plano, quando a praça da República ainda não havia sido ampliada

