Mansão Matarazzo
Desenhado por Aflalo & Gasperini, edifício com escritórios e shopping center deve finalmente ocupar o disputado terreno na Avenida Paulista
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- 22 de Agosto de 2011. Visitas: 7.551
A movimentação naquela meia quadra, se não confirma, ao menos indica que começariam a ser construídos no terreno a Torre Matarazzo e o shopping Cidade de São Paulo, complexo concebido em conjunto pelas empresas Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário (CCDI) e Cyrela Comercial Properties. A assessoria de comunicação da CCDI assegura, no entanto, que não existe prazo para o início das obras.
A informação de que se implantaria ali o empreendimento já era conhecida, pois a intenção das empresas fora anunciada no final de 2006, quando adquiriram o terreno de 13 mil metros quadrados dos descendentes da família Matarazzo. Mas a notícia de que a prefeitura concedera o alvará para a execução foi publicada inicialmente na edição de 28 de março do jornal O Estado de S. Paulo, em reportagem de Patrícia Cançado, intitulada “Um terreno nobre e enroscado”.
O projeto arquitetônico do conjunto é do escritório Aflalo & Gasperini. Se não passou por novas mudanças, o prédio comercial deverá ter 13 pavimentos e será integrado a um shopping center com cinco pisos e sete subsolos de garagem (cerca de 1,6 mil vagas).
O nome da família que morou no imóvel antes ali existente foi mantido no batismo da torre de escritórios. Mas da residência nada restou - construída em 1896 e demolida em 1996, ela a rigor nunca despertou maior interesse arquitetônico, ainda que seu tombamento tivesse sido cogitado e que a ex-prefeita Luíza Erundina manifestasse, nos primeiros anos de seu mandato (de 1989 a 1993), a intenção de transformá-la no Museu do Trabalhador.

Entre os que cerravam fileiras pela preservação estava Ayrton Camargo da Silva, então arquiteto da Companhia do Metropolitano. Na edição 121, de maio de 1989, PROJETO DESIGN publicou o texto “Patrimônio cultural: impunidade e corporativismo”, no qual Camargo da Silva argumentava que o episódio da mansão (a família tentara, meses antes, implodir a residência) era a síntese de outros atos de barbárie cometidos contra o patrimônio cultural.
Além de informar sobre a concessão do alvará, a reportagem de O Estado de S. Paulo relata a existência de um conflito jurídico entre membros da família Matarazzo (que teriam recebido 40% do valor combinado no ato da venda; os outros 60% seriam pagos em área construída) e os empreendedores, motivado, sobretudo, pelo atraso na conclusão das obras. A disputa promete ir longe.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 376 Junho de 2011


