Uma obra para questionar
a estética do Movimento Moderno
Em 1997, quando o Bradesco adquiriu o controle acionário do Banco de Crédito Nacional,
a negociação também envolveu o centro administrativo BCN. Localizado em Alphaville, loteamento de alto padrão implantado em Barueri, na Grande São Paulo, o complexo onde estava instalada a matriz da instituição é formado por 26 edifícios de escritórios de três e quatro pavimentos, um prédio para a diretoria - com auditório para 300 pessoas - instalações para refeitório e clube/ginásio esportivo.

Projetado pelos arquitetos Lélio Machado Reiner
e Juan Francisco Camps Andreu e construído entre 1976 e 1985, o conjunto foi publicado por PROJETO - ainda parcialmente concluído - na edição 52, de junho de 1983. Ele voltaria às páginas da revista no número 67, de setembro
de 1984, dessa vez com o projeto do edifício da diretoria. Ainda na década de 1980, algumas daquelas edificações foram incluídas na edição 117, de dezembro de 1988, no caderno Arquiteturas do Brasil/Anos 80, que reuniu alguns dos principais trabalhos daquela década.
 

Um dos autores do conjunto, Lélio Machado Reiner desenvolveu boa parte de sua trajetória profissional como funcionário do BCN. Quando projetou o centro administrativo, deixou explícito seu descontentamento com os preceitos estéticos estabelecidos pelo movimento moderno. Essas regras também seriam questionadas em trabalhos de outros arquitetos - Carlos Bratke e Roberto Loeb, por exemplo. Na revista AU, edição 4, de fevereiro de 1986, Reiner observava que a banalização havia tomado conta da produção arquitetônica da época como resultado da simplificação dos conceitos modernistas.

“A grande massa de arquitetura medíocre produzida não foi capaz de impressionar, causando a rejeição que atualmente se observa”, afirmou. Entre outras, a adoção do tijolo aparente como principal material de composição plástica do conjunto dava pistas dessa discordância. Quinze anos depois, Reiner, que é professor na Faculdade Belas Artes de São Paulo e na Universidade Anhembi Morumbi, reavalia essa opinião: “Parece que não aconteceu o que prevíamos e o movimento moderno sobreviveu”.

Em abril último, o Bradesco realizou licitação para vender o complexo BCN. Por 43 milhões de reais, a Brascan Imobiliária adquiriu o imóvel, que pretende adensar com a construção, em áreas livres, de condomínios residenciais de alto padrão. Planeja-se uma ocupação vertical para aproveitar melhor o espaço vago existente. A pedido da Brascan, dois escritórios paulistanos - Königsberger Vannucchi Arquitetos Associados e José Lucena Arquitetura e Planejamento - estão desenvolvendo estudos para o local, mas a empresa informa estar praticamente certo que ali serão construídos prédios de apartamentos.

A intenção inicial da Brascan é a de manter as edificações existentes, alugando-as para grandes empresas. Reiner considera desejável que o complexo ganhe novos integrantes. “Tudo depende de a intervenção ser feita com sensibilidade”, opina. Esse é um desafio que, ele afirma, gostaria de enfrentar: “Buscaria harmonizar as situações”.

Texto resumido a partir da reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 257 Julho 2001

 
 
Sede do antigo BCN, em Alphaville, Barueri-SP,
que receberá edifícios residenciais de alto padrão
veja também
  A verdadeira Arquitetura suplanta o tempo.
O resto apenas suja a cidade
-
  Convento do Carmo reabre -
  Após 13 anos, solo-cimento ainda resiste -
  Reconstrução do TUCA pode ser retomada -
  A Casa Modernista aguarda o prometido restauro -
  O Paço megalômano de Caçapava -
 
patrocínio   informe publicitário
     
Índice Notícias Agenda Fórum Envie por e-mail