O terreno de
11.400 m2 integra o campus da
USP-Universidade de São Paulo, na zona oeste paulistana,
e foi cedido em comodato por 30 anos à Abcem-Associação
Brasileira da Construção Metálica,
que pretendia implantar ali o Centro de Tecnologia da
Construção Metálica. A autorização
para uso, de 1989, contou com a decisiva participação
da Escola Politécnica, com quem a Abcem mantinha
estreita colaboração.
O centro de tecnologia deveria funcionar como agente de
divulgação do potencial de uso e aplicação
das estruturas metálicas, desenvolvendo cursos,
editando publicações e fazendo pesquisas
sobre esses materiais.
A empreitada era ambiciosa, dada a envergadura do projeto
e o cenário econômico daquela época,
com elevados índices de inflação.
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A Abcem decidiu então realizar
entre seus filiados um concurso de arquitetura
para escolher o projeto a ser implantado. Realizada
em duas etapas, a competição teve como
vencedor o trabalho do arquiteto Siegbert Zanettini.
Na edição 128, de dezembro de 1989, PROJETO
mostrou o resultado daquela competição.
Além do trabalho vencedor, apresentou também
os outros classificados que chegaram à segunda
fase:
Sidney Meleiros Rodrigues, Gustavo Penna e Pepe Asbun
(já falecido).
"A equipe de Zanettini procurou idealizar uma solução
arquitetônica que revelasse as possibilidades
estéticas e estruturais inerentes ao aço",
avaliou a reportagem de PROJETO. O conjunto tinha
como principal elemento visual o bloco do hall de exposições
e auditório, marcado por cobertura atirantada
a um pórtico treliçado central.
O agravamento da crise econômica e a posterior
edição do Plano Collor, em 1990, impediram
a entidade de levar adiante a idéia, pelo menos
de acordo com a concepção do projeto vencedor.
Em 1992, a Pierre Saby - uma das empresas filiadas à
Abcem - propôs doar à associação
a estrutura de
um edifício que estava estocada em seu pátio,
pois
o cliente que a tinha encomendado havia falido.
Para que ela fosse aproveitada, era necessário
desenvolver um novo projeto que considerasse
a configuração existente. O trabalho coube
ao arquiteto Sidney Meleiros Rodrigues (um dos
finalistas do concurso de 1989), que desenhou para o
futuro CTCEM quatro blocos de 750 m2, interligados.
A entidade conseguiu mobilizar recursos para realizar
as fundações do futuro centro, avançou
até a montagem de dois desses conjuntos, mas,
de novo, faltou fôlego para chegar ao fim.
"As estruturas estão montadas no local como
um monumento", informa o engenheiro Márcio
Mattoso Guimarães, vice-presidente executivo
da Abcem.
Há cerca de quatro anos, a Abcem foi acionada
pela consultoria jurídica da USP, que pretendia
reaver o terreno. Isso de fato ocorreu depois que a
Cidade Universitária passou a fechar o campus
nos finais de semana, impedindo seu uso como área
de lazer.
De acordo com Guimarães, a Prefeitura de São
Paulo queria que, em contrapartida, a universidade cedesse
áreas que pudessem ser utilizadas pela população.
O terreno da Abcem seria uma delas.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente na revista PROJETODESIGN
Edição 260 Outubro 2001
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