Memória
 
       
 
Passados treze anos,
garagens subterrâneas
ressurgem sem polêmica
A Secretaria Municipal de Planejamento de São Paulo anunciou, em outubro de 2001, a intenção de construir garagens subterrâneas na região central de São Paulo.
Os edifícios-estacionamentos seriam implantados no subsolo das praças da República e Ramos de Azevedo, além do largo do Paiçandu.

A Empresa Municipal de Urbanização (Emurb),
que na atual gestão de Marta Suplicy voltou a ser subordinada àquela secretaria, foi encarregada de realizar os estudos preliminares das obras, que, pretende a secretaria, seriam levadas adiante pela iniciativa privada. Em troca, o município permitiria, por regime de concessão, a exploração das garagens.

A justificativa da prefeitura é que, oferecendo vagas para os veículos, mais pessoas seriam estimuladas a se deslocar até o centro, para usufruir de equipamentos culturais . “Isso vai dinamizar a região, área que hoje não é bem servida de estacionamentos”, afirmou o titular
da Sempla, arquiteto Jorge Wilheim.
 

A secretaria calcula que, no total, seriam criadas cerca de 3 mil novas vagas. Segundo pesquisa de outubro de 2000, do Sindicato das Empresas de Estacionamentos e Garagens no Estado de São Paulo (Sindepark), na região da praça da República - uma das áreas estudadas - há 74 estacionamentos, que oferecem mais de 5 200 vagas. Ocorreria, portanto, um acréscimo de 20% nesse número.

A implantação de garagens enterradas não é exatamente uma novidade. Em março de 1987, a edição 97 de PROJETO publicou reportagem sobre o assunto. Com o título “Por que a comunidade é contra as garagens subterrâneas de Jânio”, noticiava a reação de setores da sociedade paulistana à proposta do então prefeito Jânio Quadros de construir as garagens em dez áreas públicas da cidade. “O projeto foi repudiado por
2 mil paulistanos no dia 14 do mês passado, que, reunidos na avenida Paulista, deram-se às mãos
e abraçaram protetoramente o parque Siqueira Campos - uma das áreas ameaçadas - e a praça Alexandre de Gusmão”, informava o texto.

Nabil Bonduki, então presidente do Sindicato dos Arquitetos de São Paulo, argumentava, à epoca, que as garagens ameaçavam o verde da cidade.
Nota da entidade destacava que era impossível construir garagens subterrâneas em praças como o Trianon ou o Jardim da Luz sem afetar gravemente a vegetação. Dos dez estacionamentos previstos, foram construídos o da praça Alexandre de Gusmão (vizinha ao Trianon) e o da avenida Enéas Carvalho de Aguiar (junto ao Hospital das Clínicas), aparentemente sem prejuízo ambiental, embora tenham sido construídas sob áreas menos arborizadas.

O estacionamento da praça Alexandre de Gusmão
(PROJETO DESIGN 239, janeiro de 2000), cujo projeto é do escritório MMBB, foi até mesmo premiado na 4ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo. Milton Braga, arquiteto sócio do MMBB, é favorável a novas construções desse tipo. Ele diz que o projeto da praça Alexandre de Gusmão mostra que pode haver equilíbrio entre o interesse público mais amplo - a preservação ambiental - e a iniciativa privada, que visa o lucro.

Atualmente vereador em São Paulo e pertencente à bancada governista, Bonduki não nutre maior entusiasmo pela idéia da Sempla. Acha que, para a cidade, seria mais proveitoso que as garagens subterrâneas fossem construídas, por exemplo, junto às estações de metrô, incentivando o uso do transporte coletivo.

Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente na revista PROJETODESIGN Edição 261 Novembro 2001

 
Garagem Trianon, em São Paulo, projeto do escritório MMBB:
a garagem foi contruída sob a praça Alexandre de Gusmão, evitando a mata do Parque Trianon
 
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garagens subterrâneas
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