Desde o início
de 1998, o Ibope - Instituto Brasileiro de Opinião
Pública e Estatística ocupa, em São
Paulo, um edifício situado na alameda Santos, próximo
da avenida Paulista. Conhecido como Plavinil-Elclor, o
prédio abrigou, durante vários anos, divisões
administrativas das empresas Plásticos Plavinil
e Solvay do Brasil.
O projeto do escritório Rino Levi Arquitetos Associados
é vizinho do Conjunto Nacional -
um dos ícones da capital paulista - e exerceu,
enquanto manteve seu desenho inicial, certo atrativo sobre
a comunidade arquitetônica. |
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Caso a Simel Empreendimentos
- proprietária do edifício - recorresse
ao Ibope para avaliar entre arquitetos o sucesso
das mudanças promovidas no projeto original,
dificilmente colheria aprovações.
As alterações não interferiram
nos volumes, definidos em função dos recuos
obrigatórios, mas o edifício alterou-se
substancialmente com a retirada dos brises cerâmicos
- espécie de cartão de visitas da construção
-, desenvolvidos especialmente para o projeto. Outro
ponto de rara beleza do conjunto, seu pavimento de acesso,
desenhado em colaboração de Rino Levi
com Burle Marx, também foi modificado.
Mal, segundo alguns arquitetos
Na edição 111, de junho de 1988,
em reportagem sobre os 60 anos do escritório
Rino Levi, PROJETO mostrou, entre outros trabalhos,
o edifício e sua
bela estampa. Ao referir-se aos brises nos projetos
desenvolvidos pelo escritório, Cecília
Rodrigues dos Santos afirmou em seu texto que eles “nunca
(atuavam) apenas como um elemento destinado pura e simplesmente
a desempenhar sua função de proteger
o edifício contra o excesso de insolação,
mas também como uma peça importante
da composição, variando em formas
e materiais de acordo com o caráter do projeto”.
Decorridos cerca de três anos das alterações
ali realizadas - de acordo com o empreendedor, com o
intuito de melhorar a estética do edificação,
então deteriorada -, não arrefeceu a rejeição
de alguns profissionais ao resultado do trabalho. Antonio
Carlos Sant’Anna, titular do escritório Rino
Levi Arquitetos Associados, considera as transformações
desrespeitosas e o resultado final, desastroso.
“O projeto é uma das mais memoráveis colaborações
entre Rino Levi e Burle Marx, e as mudanças
efetuadas denotam a mais absoluta falta de cultura.
Foi uma reforma no pior sentido possível”, critica.
Os brises que hoje protegem a face poente do
edifício - voltada para a rua Augusta - foram
desenhados por Luciano Rocco. O arquiteto observa
que seu trabalho limitou-se a essa intervenção,
não tendo sido recomendada por ele a substituição
dos elementos cerâmicos originais. “Quando fui
contratado, eles já haviam sido retirados praticamente
em sua totalidade”, diz.
Em sua avaliação, não havia condições
de recompor o desenho original por causa do avançado
estado de deterioração do material cerâmico.
Mesmo tendo sido o autor dos brises atuais - que considera
uma espécie de solução de emergência
-, Rocco não se mostra satisfeito com a cor neles
usada.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente na revista PROJETODESIGN
Edição 262 Dezembro 2001
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