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Os programas residenciais
representam, por essência, um campo aberto à
experimentação.
Nas residências, com maior constância, arquitetos
deixam fluir mais livre sua imaginação
e, pode-se até dizer, fazem fermentar os novos
caminhos e inclinações da profissão.
Eduardo Longo não é exatamente um arquiteto
que se possa classificar como convencional. Em sua disposição
para experimentar - que já havia sido observada
por Yves Bruand, no livro "Arquitetura Contemporânea
no Brasil" - ele conta com um projeto no mínimo
inusitado: a residência-bola.
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“É o segundo projeto de
habitação esférica realizado pelo
autor. O primeiro foi construído sobre a
residência anterior do arquiteto, reformulando-a
totalmente”, informava o texto publicado na edição
73 da revista PROJETO, em março de 1985.
Na segunda experiência, a esfera aparecia
apoiada sobre uma coluna cássica, com capitel,
no qual se destacava o motivo floral de ramos e frutos
de café, homenagem ao avô de Longo, um
cafeicultor.
“O conjunto representa a utopia e o futuro, a arquitetura
da era do plástico”, analisava a reportagem.
Utopia, futuro, era do plástico?
Passados 17 anos da publicação, como a
casa-bola seria analisada hoje? Longo lembra que, na
verdade, a proposta-conceito foi idealizada para aplicação
em edifícios de apartamentos, dentro dos quais
as duas residências foram protótipos. “Não
teríamos apartamentos geminados, uma vez que
haveria vazio entre as unidades”, diz.
Como residência isolada, ele reconhece, faltam
complementos como um chapéu (a cobertura) e beirais.
Apesar de algumas imperfeições construtivas
dos protótipos “a esfera não é
perfeita” , Longo não considera sua proposta
superada.
Avaliação parecida faz o arquiteto
Eduardo de Almeida, professor da FAU-USP que tem em
sua trajetória profissional dezenas de projetos
de residências. Almeida vê Longo como um
pesquisador sério e competente isolado,
porém e afirma que a casa-bola foi um
projeto experimental, uma tese que necessita ser
melhor avaliada. Observa que há méritos
na proposta e destaca sobretudo a ousadia de Longo percorrer
caminhos originais. “Nunca tive essa coragem”, admite
Almeida.
O jovem arquiteto Vinícius Andrade, sócio
do escritório Andrade Morettin (que vem ganhando
projeção pela qualidade de sua arquitetura),
tinha 16 anos quando a casa-bola foi publicada.
Ainda hoje, Andrade considera o trabalho de Longo um
ícone, no sentido de constituir uma proposta
do arquiteto para um sistema construtivo industrializado
que poderia ser aplicado em escala.
“A idéia-conceito existente é mais importante
que a forma final”, opina. Nesse sentido, o formato
esférico parece-lhe um contra-senso, quase um
fetiche da industrialização.
Texto e pesquisa de Adilson
Melendez
Publicado originalmente na revista PROJETODESIGN
Edição 264 Fevereiro 2002
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