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Nenhum arquiteto
estrangeiro que visite a Fábrica
de Lazer Sesc Pompéia, em São Paulo,
vai embora sem uma forte lembrança do conjunto.
O mesmo acontece com os brasileiros, arquitetos ou não:
basta conferir a intensa atividade e freqüência
que caracterizam aquele espaço, tipicamente paulistano
- mas universal no significado.”
Essa era a abertura de ampla reportagem dedicada à
arquiteta Lina Bo Bardi na revista Projeto 149, em janeiro
de 1992, demonstrando a admiração e o encanto
que a mais charmosa unidade do Sesc despertava em seus
usuários e visitantes.
O conjunto, que à época completaria dez
anos, chegou à idade adulta. Em agosto, a restauração
da antiga fábrica atinge duas décadas, exibindo
vitalidade arquitetônica e qualidade de programação
difícil de ser superada.
Uma hipotética lista das principais obras de arquitetura
da capital paulista - e talvez do Brasil - não
poderia omitir o complexo cultural e desportivo.
Seu mérito, além da admirável arquitetura,
é sobretudo o de um espaço respaldado pela
efetiva apropriação pela população,
que ali assistiu a eventos, shows, exposições
e desfiles que entraram para a crônica cultural
paulistana. |
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Antes, na edição
92, de outubro de 1986, ano em que foi inaugurada
a parte nova do complexo, a revista Projeto dedicou
18 páginas ao Sesc Pompéia. Em texto publicado
naquele número, o filósofo espanhol Eduardo
Subirats Rüggeberg escreveu:
“Pareceram-me uma alegre fantasia arquitetônica
essas pontes que unem os dois edifícios principais
da Pompéia e servem para que os jovens, após
os suores dos espaçosos ginásios que a
grande torre abriga, regressem aos vestiários
da torre pequena.
O conjunto escultórico dos dois gigantes e a
última torre, cilíndrica e alta como uma
chaminé [...] possuem uma dimensão carregadamente
expressiva”.
Para Danilo Santos de Miranda, diretor regional
do Sesc São Paulo, essa é uma das duas
razões para que a unidade da Pompéia seja
a de maior visibilidade. “A primeira é sua extensa
programação cultural, com espetáculos,
eventos e exposições de grande ressonância
na vida da cidade e mesmo do país.
A outra é sua arquitetura, tanto pelo
que representa em termos de memória industrial
preservada, quanto pelas engenhosas soluções
de restauro, reciclagem e novas intervenções
feitas por Lina Bo Bardi”, afirma.
Miranda conta que, ao adquirir a fábrica e reciclá-la,
o Sesc não pretendia transformá-la
em modelo para futuros centros culturais. “Ao contrário,
ela reproduziu um conceito que vimos desenvolvendo
e aperfeiçoando desde o início dos anos
1960: um complexo de espaços e instalações
que conjuga atividades relacionadas às expressões
artísticas,
às expressões do corpo, à saúde
e ao bem-estar social”, observa.
Ele admite, porém, que o conjunto da Pompéia
foi um divisor de águas, tanto para a entidade
quanto para a vida cultural da cidade - incluindo-se
aí sua arquitetura.
De acordo com Miranda, a intenção do
Sesc é,
a partir de conceito básico comum, encontrar
expressões arquitetônicas com
forte identidade. “Sob esse ponto de vista, o Sesc Pompéia
é exemplar”, observa.
É esse aspecto que, em sua avaliação,
fez com que aquela unidade - também por sua arquitetura
- se tornasse ponto de partida de inúmeras outras
obras de reciclagem e memória urbana e industrial
em todo o país.
Reportagem de Adilson Melendez
Publicada originalmente na revista PROJETODESIGN
Edição 270 Agosto 2002
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Sesc Pompéia:
um dos mais importantes projetos
de Lina Bo Bardi tornou-se referência internacional
Foto: Sergio Gikovate |
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| Fotos: www.sescsp.com.br |
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