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A pergunta
faz sentido, porque a capa da edição 42,
de agosto de 1982, fazia referência aos dez anos
da publicação. Em agosto de 1987, o número
102 estampava: “Edição Especial de 15
Anos”; e o número 156, de setembro de 1992, insistia:
“Edição Especial de 20 Anos”. De 1992
até 2002 passou-se uma década. Por que,
então, a revista está comemorando 25 anos,
e não 30?
Para entender a lógica dessa matemática,
é preciso retornar à origem da publicação.
Seu início pode ser contado tanto a partir de
1972 - como vinha até então sendo feito
- como a partir de 1977 (ano agora adotado), quando
a publicação batizada com o título
PROJETO começou a circular encartada no jornal
"Arquiteto".
Nessa época, "Arquiteto", que era vinculado
ao IAB-SP e ao Sindicato dos Arquitetos de São
Paulo, tinha cinco anos e embalou por mais dois (nove
edições) o filhote gerado por Vicente
Wissenbach e impregnado pelo DNA dos arquitetos Alfredo
Paesani e Fábio Penteado, seus fundadores.
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A carreira-solo da revista teria
início em 1979, na edição número
11, em que a Carta do Editor escrita por Wissenbach
tinha como título “Chegou a hora da grande virada”.
“Finalmente estamos virando revista e, com sua ajuda
e colaboração, vamos nos transformar
na revista brasileira de arquitetura que os arquitetos
há tanto tempo reclamam e nos cobram com
insistência”, anteviu o jornalista.
E, atenção, leitores, colecionadores e
bibliotecários: a revista nunca teve a edição
10. “Como a gente estava nessa virada, iniciando
uma seqüência nova, passamos para o 11 direto.
Na realidade, o 11 era quase o número 1 da nova
fase.
Até hoje, ainda tem assinante que escreve pedindo
o número 10 para sua coleção”,
explicou Wissenbach a Júlio Moreno, que, na edição
102, relatou, numa espécie de crônica,
a saga da publicação.
Em trecho de sua reportagem, Moreno observava uma característica
até então associada à revista:
“Um certo atraso na circulação, em relação
à data da publicação”.
A edição trazia também o primeiro
capítulo - com a promessa de que outros viriam
- do artigo “História e estórias de
uma revista de arquitetura, contadas pelo editor”,
no qual Wissenbach recordava tempos difíceis
e citava o ingresso de Arlindo Mungioli na sociedade
para uma experiência de um ano. “Se der certo,
continuamos. :
Se não der, fechamos”, disse Mungioli na ocasião.
“Vencido o prazo, nossos problemas ainda eram os mesmos
e ele, cumprindo o prometido, saiu”, relembra Wissenbach.
O retorno de Mungioli ocorreria bem mais tarde (revista
156, de setembro de 1992), um número após
a edição de 20 anos (ou seriam 15?). Com
ele, a revista perderia, definitivamente, o descompasso,
ironicamente destacado por Moreno, entre mês de
edição e data de circulação.
À frente da publicação há
dez anos, período em que PROJETODESIGN
passou por várias reformulações,
Arlindo Mungioli estabeleceu, de início, três
metas:
“A prioritária era recompor sua saúde
editorial e financeira - fortemente abalada pela truculência
econômica da dupla Collor/Zélia. Em seguida,
promover as melhorias visivelmente necessárias.
E, finalmente, implantar um processo de contínua
renovação editorial e gráfica”.
“Estamos cumprindo a promessa de Wissenbach: fazer de
PROJETO DESIGN a revista brasileira de arquitetura que
os arquitetos reclamavam no final da década de
1970”, completa Mungioli.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente na revista PROJETODESIGN
Edição 275 Janeiro 2003
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