Nome novo. Projeto, nem tanto
Se os bons ventos ajudarem, até o final de 2003 deve estar concluído o primeiro trecho do Paulistão. A previsão é da São Paulo Transportes (SPTrans), empresa municipal de transportes paulistana.

O Paulistão nada mais é do que o antigo Fura-Fila. O sistema de transporte de média capacidade, idealizado no governo de Paulo Maluf, opera em via segregada. Sua implantação teve papel decisivo na eleição de Celso Pitta.

A troca de nome feita pela prefeitura lembra certas tentativas de marketing de ressuscitar produtos não assimilados pelo consumidor. Além de alterar a denominação, a prefeitura fez alguns ajustes no projeto e na forma de funcionamento dos veículos, para adequá-los ao orçamento.

Porém, o atual ritmo das obras, retomadas em meados de 2002, recomenda prudência quanto à expectativa de conclusão. Por enquanto, certo mesmo é que de Paulistão só temos o campeonato estadual de futebol.
 

Na edição 212, de setembro de 1997, PROJETODESIGN publicou reportagem sobre as propostas de arquitetos para a via de circulação do veículo leve sobre pneus (VLP), nome técnico do
ex-Fura-Fila. Dois meses depois, na edição 214, divulgou o design de veículos que seriam usados.

Mas outra novidade em termos de transporte coletivo já chamara a atenção da revista muitos anos antes. No número 55, de setembro de 1983, três páginas foram destinadas à reportagem “Gaúchos criam revolucionário sistema de transporte de massa”.

O texto informava que “já está em operação desde o último dia 11 de abril, em Porto Alegre, o trecho experimental do novo sistema de transporte desenvolvido pela Coester, batizado de aeromóvel”.

Ele seria constituído por veículos com
25 metros de comprimento que poderiam transportar 300 passageiros, transitando em
via elevada.

O assunto voltaria à revista na edição 105, de novembro de 1987, em que se divulgava a previsão de que em 18 meses estaria concluído o projeto da linha-piloto, “que vai ligar a usina do Gasômetro ao prédio da Secretaria da Fazenda, em Porto Alegre, ao longo da avenida José Loureiro da Silva”.

Um charuto de alumínio que desliza sobre um colchão de ar - assim seu inventor, o industrial Oskar Coester, refere-se ao aeromóvel. Ele utiliza o ar insuflado contra uma placa de propulsão (uma espécie de vela de barco virada de cabeça para baixo) para movimentar o veículo.

A relação entre o baixo peso do aeromóvel e o número de passageiros transportados é uma das vantagens do sistema. Um veículo com as características do que deve operar no Paulistão pesa 31 toneladas. Já o aeromóvel, com a mesma capacidade, alcança no máximo dez toneladas.

Em abril de 2003, o aeromóvel gaúcho completou 20 anos. Apesar de a linha não operar comercialmente, Coester não desanima. “Toda inovação colide com interesses e costumes. E o mundo só se move por causa dos sonhadores”, diz.

Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente na revista PROJETODESIGN
Edição 278 Abril 2003

 
O aeromóvel, de Porto Alegre, completou 20 anos.
A linha, na beira do Rio Guaíba, tem 750 metros
 

Em São Paulo, o Fura-Fila transforma-se em Paulistão.
O desenho do veículo é do designer Oswaldo Mellone

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