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Há
boa arquitetura no novo trecho da avenida? Eventualmente
sim, mas, em geral, o resultado deixa a desejar. Em
entrevista publicada na edição
276 de PROJETODESIGN (fevereiro de 2003),
o arquiteto Gian Carlo Gasperini colocou o dedo
na ferida. Avaliando a atual arquitetura brasileira,
alfinetou: “Em período que acho extremamente
ruim, de 1970 a 1980, procurou-se introduzir no país
o que havia de pior no mundo inteiro, principalmente
nos Estados Unidos. A avenida Paulista está aí
para testemunhar isso. E esses resultados terríveis
estamos vendo agora na nova Faria Lima”. Comparando,
Gasperini afirmou que a sucessora é, sem dúvida,
pior que a original.
Os novos trechos da Faria Lima ganharam contornos a
partir de 1993, quando o então prefeito Paulo
Maluf tirou do papel a idéia de prolongar
a avenida, conforme já era previsto em lei municipal
de 1968. Texto publicado em PROJETO DESIGN 162, de abril
de 1993, retratou o início de uma das mais
acaloradas polêmicas urbanísticas dos últimos
anos na cidade. Informava a reportagem que o autor
do projeto, arquiteto Júlio Neves, havia
sido ousado, pois, em vez de limitar a ampliação
no sentido dos bairros Itaim e Pinheiros, de acordo
com a lei, decidira estender o que então chamava
de Bulevar Sul até a Vila Olímpia.
Os arquitetos Jorge Wilheim (atual secretário
municipal de Planejamento) e Siegbert Zanettini,
entre outros, foram ouvidos pela revista. Wilheim considerava
engenhosa a proposta para a execução
do projeto, com as empresas privadas sendo convidadas
a antecipar o valor relativo ao potencial construtivo
que usariam acima do permitido pelo zoneamento. Da análise
de Zanettini, que se opunha ao projeto, constava
mordaz comentário: “Além do interesse
dos empreendedores, (...) há o projeto específico
e idiossincrático de um candidato à Presidência
a curto prazo. É pressa de novo. Para quê?
Já comentam que o novo traçado liga a
Faria Lima a Brasília”.
Reafirmando opinião expressa há dez anos,
Wilheim considera ainda hoje importante o objetivo da
operação. “Urbanisticamente, deve-se ter,
paralela a toda avenida expressa, como é o caso
das marginais, e em ambos os lados, uma via local
de boa capacidade, em toda a sua extensão”,
afirma. “Para cumprir sua função, a Faria
Lima deverá prolongar-se até a ponte João
Dias e, do outro lado, até a Vila Leopoldina”,
acrescenta. Wilheim faz, no entanto, reparos à
inexistência de estacionamentos debaixo
da pista de tráfego que permitiriam atender ao
previsível aumento de demanda.
Para Zanettini, não se consumou o principal
objetivo do projeto, que seria a melhora do trânsito.
“A avenida cortou a Vila Olímpia em duas metades
e destroçou a vida urbana local. Temos aqui,
atualmente, uma Vila Madalena mais sofisticada”, avalia.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente na revista PROJETODESIGN
Edição 283 Setembro de 2003
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