| |
|
|
 |
Um passo à
frente e outro para trás - este forçado,
a bem da verdade. Desde que foi reanunciada em dezembro
de 2002 - quase 50 anos depois de proposta - a construção
do auditório no parque Ibirapuera, em São
Paulo, esse tem sido o andamento da obra. De um lado estava
a prefeitura, que pretendia concluí-la a tempo
de a inauguração coincidir com as comemorações
do aniversário de 450 anos da cidade; na outra
ponta, o Ministério Público, zelando pelas
áreas verdes do parque e receoso de que os trabalhos
afetassem o patrimônio do mais importante espaço
de lazer e um dos símbolos mais queridos dos paulistanos.
O fato de o auditório desenhado por Oscar Niemeyer
estar previsto no plano original do parque não
impediu que medidas judiciais retardassem o início
da construção. No final de novembro, porém,
a prefeitura de São Paulo e a Tim, empresa de telefonia
móvel que patrocinará a construção,
informaram que haviam sido transpostas as barreiras legais.
“Depois de todos os obstáculos terem sido superados,
inclusive com a aprovação do estudo de viabilidade
ambiental pelo Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento
Sustentável, o auditório finalmente poderá
ser construído”, afirmou a prefeita em nota publicada
no site da prefeitura. A Tim prevê investir 20 milhões
de reais nessa empreitada. |
| |
|
A essa altura, os leitores devem estar
esperando referências a alguma reportagem anterior
referente ao assunto, como de regra. Entretanto, desta
vez a norma será quebrada. Não que PROJETODESIGN
e ARCOweb não tenham publicado notícias
sobre o parque - uma delas, um artigo (“Ainda é
possível barrar o túnel”) do atual vereador
Nabil Bonduki (PT), condena a construção
dos corredores viários no subsolo do Ibirapuera
(número 108, março de 1988). Porém,
como se trata de edição que comemora os
450 anos da cidade, a viagem desta vez é
a tempos mais distantes.
O ano é 1954. São Paulo comemorava
400 anos e sua população crescia. “Havia
uma euforia e previa-se que, em poucos anos, a cidade
iria passar o Rio de Janeiro e, em cinco, seria a maior
do continente”, recorda o arquiteto e professor da FAU/USP
Nestor Goulart dos Reis Filho. Naquela época,
os demógrafos desenharam um helicóide
representando o crescimento da população
paulistana. “Uma espiral”, frisa o arquiteto.
O poeta Guilherme de Almeida, no entanto, fez
uma interpretação literária do
desenho, associando-o às aspirações
paulistas, e chamou-o de “aspiral”. “Até
hoje, não consigo fazer com que a burocracia
chame o símbolo de espiral, que é o correto”,
diz o professor.
Niemeyer capitalizou a idéia do crescimento,
transformando-a numa escultura como um ícone
representativo do crescente progresso da cidade.
A escultura/monumento seria implantada sobre a plataforma
elevada (não construída), figura demarcatória
do acesso do parque. A escultura foi executada - provavelmente
moldada em gesso - e ficou exposta na entrada do Ibirapuera
durante a exposição comemorativa ali realizada.
Durou pouco, porém. Continua, entretanto, na
memória de alguns paulistanos.
Os 450 anos da cidade também ganharam um logotipo,
desenhado por Sérgio Gagliardi e Sérgio
Ninomiya. Um coração grafitado, simbolizando
dinamismo, alegria, disposição e afeto.
Alguém se atreveria a integrá-lo ao futuro
teatro do Ibirapuera ou a transformá-lo numa
escultura marcando o acesso do parque?
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente na revista PROJETODESIGN
Edição 287 Janeiro de 2004
|
|
|
 |
Escultura - símbolo
dos 400 anos de São Paulo,
desenho de Oscar Niemeyer, montada na entrada
do parque. De espiral a “aspiral” |
| |
 |
| Teatro no Ibirapuera será
construído após 50 anos |
|