Restauração do Coliseu santista tem
enredo digno de encenação teatral
Quando completar 80 anos, em junho de 2004, o teatro Coliseu, em Santos, talvez esteja pronto para reabrir suas portas ao público. Em dezembro do ano passado, o governo estadual liberou mais 4 milhões de reais para a continuidade dos trabalhos de restauro, compra de equipamentos e mobiliário daquela que já foi a mais importante sala de espetáculos da principal cidade do litoral paulista. No total, já foram investidos na obra 15 milhões de reais.

O teatro Coliseu abriu as portas pela primeira vez em 1909. Vendido, foi depois ampliado e reinaugurado em 1924 com a configuração que manteve até ser fechado. Depois dos anos de glória, o edifício de estilo eclético foi, em fase declinante, salão de bailes e cinema de filmes pornográficos.

Ao anunciar a recente liberação de recursos, o governador paulista Geraldo Alckmin estimou que as obras de recuperação do teatro estariam concluídas em quatro meses - abril próximo, portanto.

Cautela e caldo de galinha - esta, antes da gripe do frango - não fazem mal a ninguém, afirma o ditado popular. Se dose adicional da receita deve ser aviada em se tratando de obras públicas, é recomendável reforçá-la ainda mais no caso do teatro santista, mesmo porque, até o início de fevereiro, o dinheiro não estava disponível na conta da prefeitura.
 

Com pequenas alterações, a frase com que se inicia este texto pode ser encontrada na edição 162 de PROJETODESIGN, de abril de 1993. “Quando completar 70 anos, em 24 de junho de 1994, o teatro Coliseu, de Santos, SP, reabrirá suas portas ao público”, registrava a reportagem, que tinha como título “De volta ao palco”. Ela informava também que a prefeitura não decidira se o restauro seria feito por técnicos municipais sob orientação de especialistas ou por profissional contratado. E especulava que os trabalhos não apresentariam grandes problemas, pois o edifício fora mantido em uso como cinema até 1992.

Pode ter sido essa indecisão que deu início a uma acirrada - e nem sempre muito leal - disputa pelo desenvolvimento da proposta. A licitação promovida pela prefeitura local foi vencida pelo escritório Pam Arquitetura, que contratou Samuel Kruchin. O arquiteto realizou todos os levantamentos e preparou até o projeto executivo. A partir daí, começaram a surgir óbices da burocracia municipal, aparentemente interessada em encarregar-se ela mesma da tarefa. Até 2001, como pode ser constatado em notícia no site do governo do estado de São Paulo (www.saopaulo.sp.gov.br), o arquiteto Nelson Gonçalves de Lima Júnior, funcionário da prefeitura, apresentava-se como responsável pelo restauro.

Estranhamente, cópias de pranchas, desenhos, memorial e outros documentos que faziam parte do trabalho de Kruchin, e que foram entregues aos órgãos municipais, perderam-se nos escaninhos.
“A prefeitura negou-se a remunerar o trabalho, alegando que não havíamos entregue o projeto executivo”, informa Kruchin. Porém, laudo emitido pelo Instituto Falcão Bauer atestou que a obrigação havia sido cumprida. O documento é parte do processo jurídico que Kruchin move contra a prefeitura santista e que, nas instâncias percorridas até o momento, foi considerado procedente e legítimo.

De acordo com a prefeitura de Santos, os autores do restauro são Nelson Gonçalves de Lima Júnior e Agnaldo Secco Júnior.

Há ou não, na história, ingredientes para uma boa encenação teatral?


Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente na revista PROJETODESIGN
Edição 289 Março de 2004

 
O teatro Coliseu, no centro de Santos,
quando funcionava como cinema
 
Maquete elaborada para o projeto de restauro
desenvolvido por Samuel Kruchin
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