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A direção da Fundação
Memorial da América Latina considera esse o primeiro
passo da empreitada que dará início à
recuperação do conjunto arquitetônico
ali implantado e à modernização de seus
equipamentos. E chamou-a, de forma simbólica, de Primavera
no Memorial. Além da reabertura do acesso junto à
estação, as obras incluíram a renovação
e a ampliação do sistema de iluminação
da esplanada, das fachadas dos edifícios, do portão
de acesso e da passarela que conecta as duas partes do espaço,
transpondo a via pública. Foi também reinaugurado
o Pavilhão da Criatividade, em reforma havia nove meses.
Além do caráter funcional, a nova iluminação,
com lâmpadas de vapor de sódio, buscou também
um efeito cênico que procura valorizar a arquitetura
dos edifícios projetados por Niemeyer. As bandeiras
das nações latino-americanas, desfraldadas ao
longo do perímetro na lateral do acesso, também
foram destacadas pela luminotécnica. Despertar
sensações inesperadas e permitir leituras
inéditas em espaços existentes é
uma das funções da iluminação,
como mostram outros trabalhos publicados nesta edição,
dois deles, coincidentemente, em obras de Niemeyer.
O Memorial da América Latina, também objeto
de intervenção luminotécnica, foi inaugurado
em março de 1989 e publicado na revista PROJETO 120,
em abril daquele mesmo ano. Publicado, analisado e criticado,
como mostra trecho do artigo "Descubra os sete erros",
de autoria de Ruth Verde Zein, naquele número: "(...)
em suas duas obras mais recentes em São Paulo - o projeto
Parque do Tietê e o Memorial da América Latina
-, infelizmente Niemeyer está sozinho, muito
embora possa estar bem acompanhado pelos seus colaboradores.
Mas é visível e patente a frouxidão das
concepções urbanísticas de ambos os projetos",
ela afirmava.
Não se sabe se por esse motivo, mas, ainda hoje, a
população paulistana não possui uma relação
afetuosa com o memorial. É fato, porém,
que a ausência de áreas mais densas de vegetação
torna inóspita a permanência no local.
Talvez nas verbas (1,479 milhão de reais) destinadas
pelo governo estadual à manutenção e
à reforma de outros prédios e de áreas
externas do conjunto se possa reservar uma parcela para resolver
a carência de espaços verdes. Essa seria
uma maneira de o atual processo de recuperação
fazer jus ao nome Primavera no Memorial.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente na revista PROJETODESIGN
Edição 309 Novembro de 2005
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