| Ali, se tudo der certo e a
prefeitura não abandonar a idéia, deverá ser implantada,
nos próximos anos, a praça das Artes. É motivo de
grande alegria tornar de utilidade pública o local, disse o prefeito José
Serra, ao assinar decreto impedindo que se mexa no lugar. O segundo passo, ele
emendou, é a desapropriação, que terá de ser feita
levando em conta as condições de cada imóvel. “Enquanto isso,
vamos trabalhando no projeto”, arrematou. Dele farão parte
a Escola Municipal de Música, que ocupará o prédio
do Conservatório Dramático Musical (promete-se que ele será
restaurado), o balé da cidade, um centro de documentação
artística e um anexo do Teatro Municipal. Alguns edifícios serão
adaptados e outros construídos em torno do conservatório. Como se
fosse pouco, haverá ainda a instalação de uma galeria com
espaço para restaurante, biblioteca, bilheteria e uma área
para exposições. E, claro, um café. Parece
uma idéia grandiosa? E é mesmo. Mas soa relativamente modesta
se comparada ao megalômano projeto desenvolvido para o local pelo arquiteto
Fábio Penteado e conhecido dos leitores de PROJETO DESIGN. Confiram na
edição 158, de novembro de 1992, como Penteado e Luís Antônio
Pompéia (já falecido), então diretor da Embraesp, pretendiam
acelerar a revitalização do centro paulistano com uma megatorre
que juntaria hotel, shopping center e ala para escritórios. O
projeto era uma espécie de resposta ao que a dupla considerava atitude
tímida da Operação Urbana Anhangabaú, elaborada na
gestão de Luíza Erundina e abordada na edição 138,
de fevereiro de 1991. A torre desenhada por Penteado consumia os 30 mil
metros quadrados permitidos à época pela Lei de Zoneamento e utilizava
ainda mais 150 mil, distribuindo-se por “apenas” 75 andares. O projeto
não foi adiante. Os terrenos - agora de utilidade pública - vêm
servindo, entra ano e sai ano, a um sem-número de trabalhos de conclusão
de curso dos alunos de arquitetura. E os prédios neles situados, a um comércio
decadente. Marcos Cartum, autor do projeto da futura
praça das Artes, é formado pela FAU/USP e atua na Secretaria da
Cultura paulistana. Se ainda desse aulas, poderia recomendar a seus alunos que
evitassem desenvolver trabalhos para o terreno. Pelo menos até receber
sinal verde do poder municipal. Texto resumido
a partir de reportagem de Adilson Melendez Publicada originalmente
na revista PROJETODESIGN Edição 313 Março de 2006 |