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O Poupatempo é uma das mais bem-sucedidas
iniciativas governamentais, pois oferece, num único local, com presteza
e bom atendimento, dezenas de serviços públicos, desde a emissão
de documentos pessoais até a venda de ingressos para peças de teatro.
Imagine-se o que isso significa para habitantes de uma cidade que, até
então, esperavam meses para conseguir uma simples carteira de identidade.
Se não matou de vez a burocracia, o Poupatempo aplicou um golpe
que a levou ao knock down (expressão inglesa utilizada no boxe, quando
o pugilista cai mas se reergue e continua a lutar). Se mantiver o padrão
de atendimento dos outros postos, o futuro Poupatempo Lapa poderá continuar
a golpear os integrantes dessa teia tenebrosa. No entanto, o anúncio
da nova unidade abateu - ironicamente, em edificação onde
funcionou até 1927 o segundo matadouro paulistano - um centro cultural.
O precário espaço, denominado Tendal da Lapa, foi criado nos anos
1990, época em que passou a ser utilizado pela subprefeitura. Na edição
153, de junho de 1992, PROJETO DESIGN abriu espaço em suas páginas
para uma discussão que buscava definir a vocação para aquele
local. Na ocasião, Lúcio Gomes Machado questionava o uso para fins
culturais. “A função de entreposto de abastecimento não está
totalmente descartada da vida urbana e o Tendal poderia voltar a ela, não
estocando carne, mas outros gêneros alimentícios”, considerava.
Pelo projeto atual, o espaço não armazenará nenhuma
espécie de gênero alimentício - talvez só uma pequena
despensa com o lanche dos funcionários. Um acordo incomum entre
a prefeitura e o governo estadual, celebrado em fevereiro, permitirá
que o imóvel seja destinado ao Poupatempo. O estado, por sua vez, vai transferir
à prefeitura um edifício, na região central, que anteriormente
pertencia ao Instituto de Previdência do Estado de São Paulo (Ipesp).
Desocupado desde 1998, o prédio de 18 andares será reformulado para
abrigar um anexo da vizinha Biblioteca Mário de Andrade. Com isso,
está decretada a morte do projeto de ampliação desenvolvido
por Fábio Penteado, óbito antecipado pela revista na coluna Curtas
da edição 304, de junho de 2005, e ratificado no número 313,
do último mês de março. Texto
resumido a partir de reportagem de Adilson Melendez Publicada
originalmente na revista PROJETODESIGN Edição 314 Abril
de 2006 |