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Já não era sem tempo, poderia ter acrescentado
o redator. A obra, planeja a equipe da universidade, terá início
com a recuperação do antigo armazém de café,
que será transformado em espaço para atividades relacionadas à
música e ao teatro, além de abrigar oficinas para
formar profissionais nas áreas artística e cultural. O projeto de
restauro foi desenvolvido pela Companhia Paulista de Obras e Serviços
e é assinado pelo arquiteto Demétrio Araújo, funcionário
da CPOS. Construído em 1883, o armazém tem
área de 910 metros quadrados e, segundo os técnicos envolvidos no
projeto, é representativo da arquitetura paulista do final do século
19. Sua recuperação é a primeira etapa de uma iniciativa
mais ampla, que pretende fazer do complexo ferroviário um centro cultural
de inclusão e integração social - seja lá o que isso
possa ser. Posteriormente, com projeto de equipe da Unicamp, o
edifício da estação abrigará café, livraria
e acesso para as exposições; a gare metálica, fechada com
vidros, vai transformar-se em galeria. Está prevista, ainda, a construção
de um bloco de aproximadamente 4 mil metros quadrados (em frente ao antigo armazém),
com teatro de mil lugares, oficinas/salas de ensaio, restaurante
e centro de documentação e memória. Nosso adendo
ao texto do jornal deve-se ao fato de que a notícia pode ser nova, mas
o fato não: em 1990, a Unicamp havia recebido aquele conjunto em
comodato e pouco depois encomendara à arquiteta Lina Bo Bardi o
desenvolvimento de um projeto para sua recuperação. Na edição
141, de maio de 1991, PROJETO DESIGN mostrava em três páginas como
Lina e seus Marcelos (Ferraz e Suzuki) pretendiam transformar o antiga estação
em centro cultural. Curiosamente, a proposta recomendava a retirada do já
alterado terminal, que, depois, seria tombado pelo patrimônio histórico.
Lina morreu sem ver sua solução tomar
forma. E para o bloco a ser construído a Unicamp contratará - com
15 anos de atraso - outro projeto, que aproveitará em parte a proposta
da arquiteta, mas em local diferente daquele que ela havia inicialmente planejado.
Pode ser interessante, como também o são os dois museus/estações
publicados nesta edição de PROJETO DESIGN. Mas o “trem da Unicamp”,
que transportaria exposições para todo o estado de São Paulo
e outras localidades do Brasil - idéia lançada por Lina -, desligou-se
da composição. Parece que para sempre. Texto
resumido a partir de reportagem de Adilson Melendez Publicada
originalmente na revista PROJETODESIGN Edição 315 Maio
de 2006 |