Torres transformarão Triângulo das
Bermudas em Quadrado Mágico?
Avenida que reúne alguns dos mais imponentes edifícios comerciais do Rio de Janeiro, a República do Chile, na região central, terá, até o final de 2008, “um novo cartão-postal”. Em se tratando da capital carioca, uma das mais belas cidades do mundo, é uma pretensão e tanto dos empreendedores. E por mais clichê que a expressão possa soar, é assim que eles se referem ao complexo Ventura Corporate Towers.
 

A edificação, que começou a ser implantada no final do ano passado e foi desenvolvida em parceria pela norte-americana Tishman Speyer e pela brasileira Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário, ocupará terreno em frente da Catedral Metropolitana. O entorno, onde também se situam os edifícios da Petrobrás e do BNDES, recebeu da sagaz verve carioca o apelido de Triângulo das Bermudas. No último grande terreno disponível no local, os empreendedores pretendem investir 450 milhões de reais.

A construção é nova, o projeto nem tanto. Ele foi desenvolvido em 2001, pelos escritórios Aflalo & Gasperini Arquitetos (Brasil) e Kohn Pedersen Fox Associates (EUA). Eles criaram duas torres de 36 andares cada uma, com lobby de nove metros de pé-direito. Na base, haverá lojas, restaurantes, cafés e outros serviços, além de um centro de convenções para 200 pessoas.

O terreno pertence à Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em reportagem publicada pelo jornal Gazeta Mercantil, Daniel Citron, que responde pela presidência da Tishman Speyer no Brasil, afirmou que, havia cinco anos, a UFRJ planejava utilizar o local para a construção de um projeto comercial - em 2001, a Tishman ganhou, por licitação, o direito de explorar o lote.

Equivocou-se o presidente da Tishman. É bem mais antiga a intenção da escola de ocupar o terreno com um empreendimento comercial. Ela se manifestou há pelo menos 20 anos, como pode ser constatado em PROJETO DESIGN 78, de agosto de 1985.

Naquela edição, a seção Jornal Projeto apresentou uma proposta para o local, desenvolvida pelo arquiteto Ulysses Burlamaqui (1925-1998), professor emérito da UFRJ e, por quatro anos, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da instituição. “Uma massa edificada que se eleva, o corpo alto nascendo do solo e o corpo baixo a ele ligado natural mente, com fachadas inclinadas, que dão à volumetria curiosos efeitos escultóricos”, descrevia o autor.

Escultórico parece ser também o Ventura Corporate Towers. “O acabamento em vidro e o design da fachada. formarão um conjunto harmonioso com a forma triangular da catedral”, afirmam os empreendedores. A primeira das torres deve estar pronta antes do final de 2008.

Em época de Copa do Mundo e de Quadrado Mágico, resta esperar para ver se, somadas às três famosas edificações do entorno, as novas torres formarão um time capaz de suplantar a irônica alcunha que ronda o local.


Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente na revista PROJETODESIGN
Edição 317 Julho de 2006

 
Ventura Corporate Towers, projeto desenvolvido em parceria pelo escritório brasileiro Aflalo & Gasperini e por Kohn Pedersen Fox Associates, dos Estados Unidos
 
Edifício projetado na década de 1980 por Ulysses Burlamaqui para o lote. O arquiteto é também autor do Rio Sul Center
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