Desenho que integra o projeto de restauro da construção, cujas fachadas devem ser recuperadas. O atual visual é um mosaico de argamassas de diferentes tonalidades
 
Restauro vai recuperar sede do Arquivo Histórico Municipal
O projeto está detalhado, o dinheiro encontra-se reservado e a licitação para as obras já foi realizada. Por isso, não há razão para duvidar (embora seja bom bater na madeira três vezes, fazer figa, jogar sal grosso, ou até as três coisas juntas) que o edifício Ramos de Azevedo, localizado na praça Coronel Fernando Prestes, na região da Luz, terá seu restauro concluído. As obras devem começar, no máximo, até setembro.
 

Projetada em 1908 por aquele que mais tarde lhe legaria o nome, a edificação - tombada por órgãos do patrimônio municipal, estadual e federal - foi oficialmente inaugurada em 1920 e era destinada às instalações dos Gabinetes de Máquinas e Eletrotécnica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Até 1987, o prédio foi ocupado pela Poli. A aposentadoria da construção como escola, depois de 67 anos, foi precedida da transferência de sua posse para a prefeitura paulistana, que pretendia transformá-la em adivinhem o quê? Acertou quem disse equipamento cultural.

Em 1989, informa Cássia Magaldi, arquiteta do Departamento de Patrimônio Histórico (DPH) da prefeitura e autora do projeto de restauro, foram iniciados estudos que deveriam viabilizar a ampliação e a reorganização dos acervos arquivísticos do município. “Foi escolhido o Ramos de Azevedo, com área de 3,8 mil metros quadrados, para sediar a instalação do Centro de Conservação e Restauro, do Centro de Referência da Cidade, componente do projeto Casa da Memória Paulistana”, recorda.

Na edição 131, de abril/maio de 1990, a revista informava a seus leitores a intenção de São Paulo resgatar essa parte de sua memória. “O DPH pretende iniciar as obras de restauro por volta de julho e concluílas em 18 meses”, relatava a notícia.

O restauro começou na gestão da prefeita Luíza Erundina e foi até maio de 1993, quando se interrompeu - segundo estimativa de Cássia, com 80% das obras concluídas - na administração de Paulo Maluf.

Até dezembro de 1996, o prédio ficou fechado. Em seguida, ali foi alojado o gabinete do DPH com algumas de suas divisões e, mais tarde, em 1999, o Arquivo Histórico Municipal Washington Luís.

Nos 20% por concluir estava, entre outras obras, o restauro da fachada. Hoje, o aspecto externo da construção é o de um mosaico de argamassas de diferentes tonalidades. “O edifício encontra-se em mau estado, com problemas de conservação que comprometem sua integridade”, diagnostica Cássia Magaldi.

O restauro tem custo estimado em cerca de 2 milhões de reais, com parte da verba vinda da Secretaria da Cultura municipal e outra parcela do Programa Monumenta, do governo federal, financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento. Uma boa notícia. Mas não custa nada colocar um galho de arruda na orelha, para afastar o mau-olhado. Se bem não fizer, mal não fará.



Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente na revista PROJETODESIGN
Edição 318 Dezembro de 2006

 
A antiga unidade da Escola Politécnica, na época em que a revista noticiou que o edifício Ramos de Azevedo seria restaurado e transformado em uma das unidades da Casa da Memória Paulistana
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