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Projetada em 1908 por aquele que mais tarde lhe legaria
o nome, a edificação - tombada por órgãos
do patrimônio municipal, estadual e federal - foi oficialmente
inaugurada em 1920 e era destinada às instalações
dos Gabinetes de Máquinas e Eletrotécnica da
Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.
Até 1987, o prédio foi ocupado pela Poli. A
aposentadoria da construção como escola, depois
de 67 anos, foi precedida da transferência de sua posse
para a prefeitura paulistana, que pretendia transformá-la
em adivinhem o quê? Acertou quem disse equipamento cultural.
Em 1989, informa Cássia Magaldi, arquiteta do Departamento
de Patrimônio Histórico (DPH) da prefeitura e
autora do projeto de restauro, foram iniciados estudos que
deveriam viabilizar a ampliação e a reorganização
dos acervos arquivísticos do município. “Foi
escolhido o Ramos de Azevedo, com área de 3,8 mil metros
quadrados, para sediar a instalação do Centro
de Conservação e Restauro, do Centro de Referência
da Cidade, componente do projeto Casa da Memória Paulistana”,
recorda.
Na edição 131, de abril/maio de 1990, a revista
informava a seus leitores a intenção de São
Paulo resgatar essa parte de sua memória. “O DPH pretende
iniciar as obras de restauro por volta de julho e concluílas
em 18 meses”, relatava a notícia.
O restauro começou na gestão da prefeita Luíza
Erundina e foi até maio de 1993, quando se interrompeu
- segundo estimativa de Cássia, com 80% das obras concluídas
- na administração de Paulo Maluf.
Até dezembro de 1996, o prédio ficou fechado.
Em seguida, ali foi alojado o gabinete do DPH com algumas
de suas divisões e, mais tarde, em 1999, o Arquivo
Histórico Municipal Washington Luís.
Nos 20% por concluir estava, entre outras obras, o restauro
da fachada. Hoje, o aspecto externo da construção
é o de um mosaico de argamassas de diferentes tonalidades.
“O edifício encontra-se em mau estado, com problemas
de conservação que comprometem sua integridade”,
diagnostica Cássia Magaldi.
O restauro tem custo estimado em cerca de 2 milhões
de reais, com parte da verba vinda da Secretaria da Cultura
municipal e outra parcela do Programa Monumenta, do governo
federal, financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Uma boa notícia. Mas não custa nada colocar
um galho de arruda na orelha, para afastar o mau-olhado. Se
bem não fizer, mal não fará.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente na revista PROJETODESIGN
Edição 318 Dezembro de 2006
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