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“Foram mais de 3 milhões de apresentações pelo Brasil afora, sempre sem dinheiro e nunca se curvando à censura, à repressão cultural e política”, sapecou, em discurso na ocasião, o deputado Vicente Cândido (PT). Exagero à parte - ainda que o grupo realizasse dez apresentações diárias por 40 anos seguidos não chegaria sequer perto do número mencionado -, foi justa a homenagem, que coincidiu com a apresentação do recém-criado Prêmio Assembléia Legislativa de Arte e Cultura, que terá edições anuais.
A trupe é fiel seguidora do verso da música “Nos bailes da vida”, conhecida na interpretação de Milton Nascimento, quando afirma que “todo artista tem que ir aonde o povo está”. O União e Olho Vivo não espera o público: vai até ele. Suas apresentações são quase sempre gratuitas, em palcos inusitados. Em geral, as encenações são “remuneradas” com o dinheiro da condução e lanches, condições que garantem o status de grupo amador.
O grupo possui uma sede modesta, situada no Bom Retiro, zona oeste de São Paulo: um galpão e outras construções básicas onde se realizam ensaios, reuniões e esporádicas apresentações. O terreno foi cedido pela prefeitura por concessão de uso. A companhia agora pleiteia a permissão de uso por 30 anos.
Houve uma época em que alguns - entre eles os arquitetos Omerville de Souza Ferreira e Rogério Batagliesi - acreditaram, utopicamente, que o terreno poderia comportar um centro cultural, supostamente mais adequado ao futuro do grupo. PROJETO dedicou quatro páginas da edição 47, de janeiro de 1983, a essa - hoje pode ser considerada assim - quimera.
Uma pequena sala de espetáculos para 175 espectadores, laboratório de artes cênicas e de aprendizado de funções técnicas, alojamentos e biblioteca faziam parte do programa. O projeto não custou nada ao grupo, recorda Vieira.
Apesar de já ter se apresentado em importantes espaços no Brasil e no mundo - desde o Teatro Municipal de São Paulo até o festival da cidade de Nancy, na França -, as sacristias de igrejas têm sido o palco mais freqüentado pelo grupo. “Jesus Cristo é o nosso assíduo espectador”, brinca Vieira. “E nunca reclamou”, completa.
Detalhe: o projeto de Ferreira e Batagliesi não previa igreja, tampouco palco em sacristia.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente na revista PROJETODESIGN
Edição 327 Maio de 2007 |